Por Valter Pomar (*)

Em coletiva concedida no Parlamento Europeu, Lula foi questionado sobre o picolé de chuchu. Depois, sua assessoria publicou o seguinte “fio”:

 

Assim que terminei de ler os quatro pontos acima, me lembrei das charadas do livro O homem que calculava.

Para quem não lembra do Malba Tahan:

https://www.malbatahan.com.br/portfolio/o-homem-que-calculava-2/

Um exemplo de charada:

https://armazemdetexto.blogspot.com/2020/01/conto-o-problema-dos-35-camelos-malba.html

Nada mais parecido com Malba Tahan do que falar que “já tenho 22 vices” e “nem decidi se sou candidato”.

Destas frases eu concluo, por minha conta e risco, que a) não se deve tomar ao pé da letra nada do que está escrito a seguir, sem falar que b) tudo pode ter duplo sentido.

Por exemplo: “a escolha de um vice deve ser levada muito a sério”, o que não é propriamente o caso das especulações e cálculos de laboratórios dos “gênios” que resolveram fazer publicidade gratuita em favor do picolé de chuchu, alguém com quem se tem inúmeras divergências, seja por seu programa neoliberal variante Opus Dei, seja pela participação direta e indireta de Alckmin e de seu partido no golpe contra Dilma, assim como na condenação, prisão e interdição de Lula, para não falar da eleição do cavernícola.

Mas como tem gente que leva tudo muito a sério, aqui vão algumas opiniões:

1/a lei permite oficializar candidatura até 5 de agosto de 2022;

2/o vice tem que ser aprovado pelo Partido (e pela coligação);

3/quem ganha discutindo vice agora? Basicamente quem tem seu nome lembrado;

4/Alckmin tem as qualidades do Temer, com a desvantagem de que ninguém poderá dizer que não sabia disso;

5/Lula pode ter “profundo respeito” por quem ele quiser, mas a realidade sempre fala mais alto, como demonstra o caso do Palocci;

6/é preciso lembrar sempre que “nas divergências todo mundo joga bruto porque quer ganhar”;

7/quem acredita que “política é como futebol” precisa tomar dois cuidados: parar de tratar inimigo como se fosse apenas “adversário” e parar de tratar os apoiadores como se fossem “torcida”.

Quanto ao restante, os 35 camelos explicam.

(*) Valter Pomar é professor e membro do Diretório Nacional do PT

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