Por Paula Meniconi (*)

Algumas horas após o término do panelaço ocorrido no dia 14, leio no sítio do jornal Estado de Minas a seguinte notícia: “Manifestação, convocada pelo apresentador Luciano Huck, é para pedir o impeachment do Presidente da República, por causa da crise sanitária em Manaus”.

Naquele mesmo dia 14 havia surgido no twitter convocação para carreatas em todo país. Foram criados grupos de WhatsApp para informação aos interessados e eu entrei em um deles. A ideia inicial era uma “carreata apartidária”, sem bandeira, “sem falar em PT” , como frisaram. Aquelas pessoas queriam que a manifestação pela retirada do Bolsonaro não tivesse a participação declarada da esquerda, sobretudo do PT. Era a versão Frente Ampla para grupos de WhatsApp Retirei-me com a sensação de que estava sendo construída uma máquina do tempo que nos levaria de volta ao ano de 2013.

Essa era a minha impressão naquela noite: a direita – que se autodenominava “apartidária”, que levara ao Palácio do Planalto Jair Bolsonaro, agora tentava se apropriar do Fora Bolsonaro – gritado por nós desde o primeiro dia de mandato. Esgotara-se o tempo do golpismo fétido e pútrido e entrava em cena a elegância. O golpismo dos salões e banquetes tomava assento. Mas…Chico Buarque nos ensina que “amanhã vai ser outro dia” .

E eu, que me sentia sufocada de tanta indignação , tristeza e desespero, recebo uma mensagem muito simpática, dando notícia de que no dia 17 aconteceria uma carreata em Belo Horizonte e o chamado era daqueles de aquecer o coração : “Leve sua bandeira de esquerda e seu grito com muito oxigênio ”. Lá fui eu para o ato organizado por João Santiago e Ricardo Oliveira, que reuniu cerca de 90 veículos. Na concentração encontrei-me com as companheiras Eliane de Andrade, Janine Azevedo e com o companheiro Francisco de Almeida.

Durante o percurso – distante do centro para não atrapalhar quem ia para o Enem -. pudemos ouvir mais Fora Bolsonaro e Lula Livre do que Mito e Bolsonaro 2022. Estávamos carentes desse movimento nas ruas. E as ruas carentes de nós. Levamos nossas bandeiras da esquerda, nosso grito de Fora Bolsonaro e, mais que isso, a certeza de que estamos só começando.

Haverá muitos movimentos e em todo o Brasil, conforme nos dão notícia os diversos grupos de organização formados em cada cidade. Sim, companheiros e companheiras! Nós voltamos. Do jeito que der, em carreata, de máscara, com proteção… Mas voltamos. Voltamos com nossas bandeiras da esquerda e nosso grito de Fora Bolsonaro. Levamos para a rua nossa indignação, nossa revolta e, acima de tudo, nossa força e determinação. Nós estávamos sentindo falta da rua e ela de nós. Estou rouca de tanto gritar.

Confira alguns registros da carreata em Belo Horizonte no último domingo (17):

(*) Paula Meniconi é militante petista.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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