Em homenagem aos 200 anos do nascimento de Karl Marx, a revista Esquerda Petista lançou, em sua oitava edição, edital para envio de artigos a serem publicados em um dossiê especial.

 

Em 2018, mais especificamente no dia 5 de maio, celebram-se 200 anos do nascimento de Karl Marx.

Desde a juventude, quando passaram a contestar a sociedade burguesa e o capitalismo, e mesmo depois do fim de suas vidas, Karl Marx e Friedrich Engels foram atacados e difamados, seja pela teoria que formularam, seja pela ação prática que desenvolveram. Por sua vez, designados com um termo cunhado pejorativamente pelos adversários contemporâneos de Marx, a mesma sorte foi reservada aos “marxistas”, que aderiram às ideias dos fundadores do materialismo dialético.

Certamente, toda manifestação oriunda da classe trabalhadora em defesa de seus interesses tem sido alvo dos aparatos de repressão do Estado e das diferentes instituições organizadas pelas classes dominantes. Mas entre as diversas correntes políticas que lutam pelo socialismo, as revolucionárias, em particular as marxistas, tem sido alvo privilegiado da ofensiva ideológica liberal e conservadora que se intensificou nos últimos 40 anos.

Neste período mais recente, vimos a crise e o fim da União Soviética ser acompanhados e sucedidos por uma profunda crise do próprio marxismo. Concebido como uma teoria aberta, capaz de analisar diferentes realidades históricas, pois ancorada em consistente método de investigação, o marxismo viveu momentos de empobrecimento quando decodificado como doutrina fechada, que na prática relativizava (ou mesmo negava) um dos conselhos do próprio Marx: desconfiar de tudo.

Tendo a dúvida e o espírito crítico necessários à investigação científica cedido espaço à vulgarização esquemática e às certezas – muitas vezes dogmáticas – presentes na luta política, o marxismo encontrou dificuldades para responder às críticas que passavam a se avolumar a partir dos anos 1970. Não apenas no ambiente acadêmico como no interior do próprio movimento socialista, muitas das teses liberais e pós-modernas passaram a exercer maior influência e servir de fundamento para colocar o marxismo na geladeira, como se fosse uma teoria que contribuiu para explicar o mundo nos séculos XIX e XX, mas não o mundo que emergiu depois que os vencedores da Guerra Fria alegaram o fim da história.

Como resultado, é visível que as categorias e teses marxistas são menos conhecidas pelas novas gerações de militantes que as anteriores, ao passo que as ideias dos chamados socialistas utópicos e dos revisionistas reformistas, por exemplo, vem se difundindo entre os que lutam pelo socialismo.

Contudo, a capacidade crítica e criativa do pensamento marxista persistiu e vem rendendo aportes consideráveis para a compreensão do capitalismo e da luta de classes neste início de século. Assim, contribuem também para a reversão do atual déficit teórico na esquerda. Mais que isso: as contradições do desenvolvimento capitalista e suas crises só fazem confirmar as teses de Marx. Não por acaso, a procura pela sua principal obra, O Capital, aumentou exponencialmente logo após a eclosão da crise estrutural de 2008. Apesar das tentativas de proscrevê-lo, a história o reabilita.

Neste sentido, além de celebrar os 200 anos do nascimento de Marx, a revista Esquerda Petista pretende contribuir para que sua obra seja analisada à luz dos desafios estratégicos da luta pelo socialismo hoje. Não se trata, portanto, de apenas revigorar o potencial analítico e interpretativo da teoria marxista. Como nosso objetivo é transformar o mundo, é necessário que a teoria revolucionária sirva de base para a prática revolucionária, que só terá êxito se orientada por uma estratégia de luta pelo socialismo adequada para enfrentar o capitalismo do século XXI.

Para isso, estamos abrindo uma chamada de artigos para o dossiê “Karl Marx 200 anos”, a ser publicado na primeira edição de 2018 da revista (e nas seguintes, caso necessário). Entre os temas sugeridos, destacamos:

a) A teoria de Marx e os marxismos;

b) Marx e as tentativas de construção do socialismo;

c) A crítica da economia política em perspectiva: 150 anos de O Capital;

d) Marx, o marxismo e a história: teoria e historiografia;

e) Marx, a América Latina e o Brasil;

f) Marx, as lutas dos trabalhadores e o movimento sindical;

g) Marx, as marxistas e a luta das mulheres;

h) Arte e estética em Marx;

i) Marx e o movimento socialista hoje;

j) Friedrich Engels: contribuições a Marx e ao marxismo;

k) Resenhas de obras de Marx e Engels.

Os artigos deverão ser enviados para o endereço redacao@pagina13.org.br. Os textos serão recebidos serão avaliados pelo Conselho de Redação da revista e pareceristas ad hoc designados pelo Conselho, a quem cabe a decisão final referente à oportunidade ou não da publicação das contribuições recebidas.

 

Fonte: Esquerda Petista, n. 8

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