Por Natália Sena (*)

O companheiro Fernando Haddad escreveu e a Folha de SP publicou, em 4/12, um artigo sobre Lula e o PT.

No meio do texto, um tema me chamou a atenção.

Haddad afirma que “até outro dia, sobretudo no Nordeste, jovens talentosos beijavam a mão de velhos coronéis para ascender politicamente”.

Como “até outro dia”? “Não existe mais “coronelismo” no Nordeste? Como explicar um fenômeno como João Campos e sua família? E Ciro Gomes?

E quem disse que o coronelismo é um assunto do Nordeste? Será que o controle oligárquico que o tucanato paulista mantém sobre o estado de São Paulo não é também coronelismo? Será que Bruno Covas não seria um destes “jovens talentosos”?

Aliás, não seria o caso de lembrar da conhecida política do “café com leite” entre MG-SP? Ou será que não pega bem lembrar do coronelismo do sudeste?

Por tudo isso, realmente não sei o que Haddad pensou ao escrever aquela frase. Confesso que tentei, mas não consegui entender em quê essa frase acrescenta na análise de Haddad sobre o PT, seu futuro e vinculação com Lula. Afinal, reduzir o PT a figura de Lula e desconsiderar que o coronelismo é uma característica da política da direita brasileira, inclusive dos “amigos” tucanos paulistas, não ajudam.

Não sei dizer se foi um escorregão ou se o raciocínio é revelador acerca do que ele e outros pensam sobre a história, a formação social e principalmente a política e a vida real no Nordeste e seu lugar no Brasil.

Talvez tenha sido uma tentativa de ser poético, mas colocou as coisas num nível tão, digamos, superficial de análise, que no fim das contas só atrapalha. Não seria melhor lembrar que foi no Nordeste que vencemos bonito em 2018 contra o bolsonarismo?

Nesse sentido, o que realmente importa falar sobre o Nordeste, no debate acerca do balanço das eleições, é algo que não vejo quase ninguém falar, pelo menos até agora: qual o balanço da política implementada pelos nossos governadores? Com qual política fomos derrotados eleitoralmente nos 5 estados governados por petistas e comunistas e o que faremos diante disso?

O fato é que a região Nordeste tem muitas características importantes de serem entendidas pela esquerda para construir um projeto vitorioso para o Brasil.

Mas nenhuma vitória ou derrota será a partir desta ou daquela região, e sim de uma política nacional. E prosseguir com a política de conciliação e rebaixamento programático onde ainda governamos pode cobrar um preço alto.

(*) Natália Sena é integrante da Executiva Nacional do PT


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

Este post tem 2 comentários

  1. luciene_malta@yahoo.com.br

    Expressao típica de paulistano cheio de preconceito regional. Poupe-nos Haddad. A cada texto seu minha antipatia por você só faz crescer

  2. Francisco Farias

    Se coronelismo for uma prática político-eleitoral ligada a relações de dependência individual, como a análise crítica indica, então os coronéis estão mortos e enterrados em todo o país, tornado capitalista e assim sob a vigência de relações dependência coletiva – com as medicações do contrato e do dinheiro. Hoje o clientelismo político – o mercado do voto – ascendente a forma de representação importante da democracia burguesa.

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