Rafael Tomyama, companheiro militante petista, fala a respeito dos debates do 7º Congresso do PT no Ceará.

Garantir o debate estratégico do PT no Ceará

PT realiza seu 7° Congresso Nacional ensejando uma revisão de seus rumos para avançar na construção socialista. E no Ceará?

A dinâmica do Partido dos Trabalhadores – PT em torno da realização de mais uma edição de seu Congresso Nacional tem motivado intensos debates no meio da militância petista. Há uma cobrança geral de ações contundentes do partido para enfrentar o golpe, libertar Lula e retomar um projeto de desenvolvimento soberano do país, integrado no plano mundial.

No Ceará, o quadro da disputa interna ao Partido aponta a conformação de blocos de interesse que, em certa medida, por um lado se mantém e por outro se recompõem, enquanto visões antagônicas acerca das respostas a essa provocação. Há algo de positivo nisso de certo modo.

Positivo porque sempre emergem vozes que se dizem portadoras da intenção de uma suposta “unidade”. Embora isso aparentemente sinalize externamente um entendimento num “patamar superior”, na prática significa a minimização das divergências e das possibilidades de aprendizado político coletivo a partir de reflexões críticas.

A tendência interna Articulação de Esquerda (AE) tem insistido que esta retomada da ofensiva política só pode ser feita mediante um balanço sobre nossas experiências e um redirecionamento estratégico. E isso não se consegue sufocando o debate político.

A quem interessa evitar tocar em temas sensíveis?

O PT no Ceará precisa se permitir debater sem subterfúgios sobre sua trajetória política recente, seu papel nas lutas dos movimentos e sua atuação institucional. Inclusive sobre suas alianças com oligarquias locais e os tortuosos caminhos do governo Camilo (PT).

O objetivo desta reflexão necessária tem a ver com a nossa capacidade de preparar o partido para estar a altura dos desafios políticos postos na conjuntura, ou seja, para mantê-lo à frente das lutas, com seu significado transformador e emancipatório junto à classe trabalhadora.

Estas são as principais questões que estão postas na Tese estadual assinada pela AE e elaborada em conjunto com um bloco heterogêneo de forças políticas internas, que propõe uma guinada nos rumos seguidos pelo campo majoritário no PT-CE até aqui.

Candidatura a presidente do PT-CE

Para que este debate necessário se reflita no Congresso estadual, além das posições críticas de nossa chapa e Tese “Resistir e Vencer com Lula Livre“, estamos propondo igualmente que haja várias candidaturas à presidência do PT no Ceará.

O peso político da posição de alinhamento das tendências Democracia Socialista (DS) e Construindo um Novo Brasil (CNB), lideradas pelos deputados federais Luizianne Lins e José Guimarães respectivamente, induz – a exemplo do que se passou no Congresso anterior – a uma acomodação artificial das discrepâncias, em nome de uma falsa “unidade de pensamento e ação”, que inexiste na prática.

As posições expressas de conjunto pelo governador Camilo, como a dubiedade em relação à reforma da previdência ou uma política de segurança repressiva e antipovo, por exemplo, não encontram adesão total nem entre militantes e lideranças da Tese que assinam juntos.

Num quadro em que a direção do PT está usualmente submissa e à reboque das pautas da coalizão que comanda o governo do Ceará, por que aceitaríamos passivamente que a oportunidade precípua para este e outros debates, seja solapada e cerceada pelos ditames da burocracia dirigente?

É neste sentido que a AE convida as demais correntes políticas e independentes para evitar um alinhamento automático com as posiçoes do bloco até aqui majoritário. Por isso, defendemos que possa ser apresentada à militância uma alternativa democrática de concepção organizativa partidária, consubstanciada numa candidatura à presidência do PT-CE.

Evidentemente, só é possível viabilizar tal opção, na medida em que há nomes de potenciais candidatos/as disponíveis. Há certamente várias figuras públicas com condições de cumprir muito bem este papel, de resgate da altivez imprescindível para o partido deixar de estar à reboque da conjuntura e volte a desempenhar o protagonismo dos acontecimentos.

Dentre estas, a AE-CE gostaria de apresentar a postulação do companheiro Deodato Ramalho, advogado e militante das causas dos Direitos Humanos e do Ambientalismo. Além de atual presidente do PT em Fortaleza, Deodato é quadro histórico do partido, tendo sido sempre, na capital e no interior, um destacado defensor de lideranças populares e movimentos sociais. Acreditamos que o companheiro Deodato, com todo respeito às mais diversas visões colocadas, reúne as condições de respeitabilidade social e política necessárias para ocupar a presidência do PT no Ceará.

Evidentemente, esta não é uma discussão fechada. Estamos dispostos à discutir outros nomes e propostas. Diferentemente do que se pratica com frequência, não acreditamos numa unidade que se dá exclusivamente em torno de nós mesmos.

Resistir e vencer em Fortaleza

Na capital, a exemplo do que se passa em nível estadual, os projetos distintos se apresentam (e até se misturam) em diferentes chapas e candidaturas à presidência do PT. O que está em jogo envolve, inclusive, a posição partidária na eleição municipal em 2020.

Em Fortaleza, embora reiteradas resoluções do Diretório Municipal tenham afirmado nossa trajetória de oposição à gestão do prefeito Roberto Cláudio, a movimentação oportunista de filiação da Vereadora Larissa Gaspar (que se diz “independente”) representa essa tentativa de submeter mais uma vez o partido a interesses oligárquicos.

Quem leva adiante tal manobra é parte dos mesmos que na eleição interna anterior tentaram subordinar o PT aos desígnios do prefeito. Desse lado, os que secundarizam os objetivos táticos de fortalecer a bancada de vereadores/as e de que um quadro do PT possa voltar à governar a cidade, agora lançam mais uma vez uma candidatura à presidência do PT em Fortaleza.

É exatamente porque reafirmamos nossa oposição, e atuamos com a mesma coerência de sempre na defesa da ideologia e do projeto político do PT, e por defendermos sem vacilar uma candidatura própria do PT à prefeitura da capital na disputa eleitoral em 2020 é que a AE, juntamente com outras tendências nacionais e grupos regionais, apoia o nome de Guilherme Sampaio à presidência do diretório em Fortaleza.

Guilherme é vereador e suplente de deputado estadual. Sob sua liderança a bancada do PT tem vocalizado as posição críticas do partido aos desmandos da gestão municipal. Ele também tem feito a defesa sistemática e destemida da libertação do presidente Lula de sua condição de condenado injustamente e preso político. Guilherme, juntamente com o grupo que constitui – a Casa Vermelha – faz parte da construção de um polo aguerrido do PT ao lado das causas sociais e das lutas socialistas.

Para que o PT refaça sua estratégia para tempos de guerra, é preciso realimentar e materializar a esperança no vermelho da radicalidadde e da luta. Por isso, seguimos juntos, para Resistir e Vencer com Lula Livre!

 

*Rafael Tomyama é militante do PT em Fortaleza e dirigente da AE-CE

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