Como contribuição aos debates da II Conferência Nacional da Frente Brasil Popular, Página 13 publicou, na edição de dezembro, artigos de militantes que integram diferentes organizações que fazem parte da Frente. Confira nos links ao final da apresentação:

 

Da nossa parte, consideramos que os motivos fundamentais que nos levaram a formar a Frente Brasil Popular seguem atuais: unificar os setores populares, progressistas, democráticos e de esquerda para – como diz o Manifesto ao Povo Brasileiro – “defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras”; “ampliar a democracia e a participação popular nas decisões sobre o presente e o futuro de nosso país”; “promover reformas estruturais para construir um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular”; e “defender a soberania nacional e a integração regional”. Mais que isso, os últimos três anos comprovam o acerto de decidirmos criar a Frente Brasil Popular, que cumpriu e segue cumprindo um papel decisivo na luta contra o golpe e o golpismo.

É evidente que, no segundo semestre de 2017, as manifestações de massas e as paralisações tiveram menos força que no período anterior, por motivos que a Conferência fará bem em avaliar. Continua sendo necessário construir um calendário unificado de lutas em defesa dos direitos e pela revogação das medidas regressivas, sem o que não conseguiremos reconquistar o apoio da classe trabalhadora para derrotar o golpe. Além disso, é preciso mobilização e luta para derrotar as tentativas de golpe dentro do golpe, como a interdição de Lula, a instituição do parlamentarismo ou mesmo a suspensão das eleições. Neste sentido, somos de opinião que a Frente Brasil Popular deve se engajar na luta pelo direito de Lula ser candidato à Presidência da República.

Em 2018, serão travadas batalhas decisivas para definir os rumos estratégicos do país. Em qualquer cenário, devemos estar preparados para um longo período de lutas intensas, para as quais a nossa unidade será indispensável. Cabe esclarecer, entretanto, qual será o mínimo denominador comum desta unidade. Também cabe esclarecer qual será o funcionamento organizativo da Frente.

Todos sabemos que há diferentes posições programáticas, estratégicas e táticas no interior da Frente Brasil Popular, assim como são conhecidas diferenças acerca da amplitude da nossa política de alianças.  Às vezes estas diferenças estão ocultas pelo uso de uma mesma palavra, utilizada para designar diferentes conteúdos. Por exemplo: o que significa dizer que a Frente Brasil Popular é “estratégica”? E o que significa dizer que ela deve ter maior organicidade?

De nossa parte, achamos que a melhor maneira de aprimorar a organização, o funcionamento e o caráter estratégico da Frente Brasil Popular é fazendo dela um instrumento capaz de impulsionar lutas sociais unificadas. O que exigirá um consistente movimento de organização de base da classe trabalhadora em locais de trabalho, bairros, escolas, universidades. Afinal, realizar paralisações, greves e mobilizações de massa nacionalmente e com direção política demanda alto grau de coesão e consciência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Há quem subestime isto. Da nossa parte, achamos que se a Frente falhar nesta tarefa de organização e luta, todo o seu potencial estratégico se converterá em mera abstração. Se, pelo contrário, formos capazes de pegar este touro a unha, os problemas organizativos e os dilemas estratégicos serão mais facilmente resolvidos, sem que se convertam em batalhas abertas ou veladas entre diferentes (e legítimos) projetos partidários.

 

Unidade e luta para derrotar o golpe, por Gleisi Hoffmann

Cultivar a unidade, fortalecer as lutas e projetar o futuro, por Janeslei Albuquerque

Unidade necessária forjada pela luta, por João Paulo Rodrigues e Miguel Stédile

Desafios da Frente Brasil Popular, por Leidiano Farias

O caráter e os desafios da Frente Brasil Popular, por Raimundo Bonfim

União do povo por mudanças estruturais, por José Reinaldo Carvalho

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