Por Antônio Augusto (*)

Na atual tragédia eleitoral carioca, os eleitores progressistas estão alijados de um representante no 2º turno, disputado entre Paes (golpista, neoliberal e apoiador enrustido de Bolsonaro) e Crivella (golpista, apoiador igualmente da destruição neoliberal, picareta que usa a religiosidade e apoiador assumido de Bolsonaro).

Até hoje a história não está muito bem contada: o porquê do candidato natural das forças democráticas e populares, o deputado federal Marcelo Freixo (PSol), não ter participado da eleição.

Freixo é um deputado democrata com atuação relevante, especialmente na defesa dos Direitos Humanos.

Era apoiado pelo PT e PCdoB já no primeiro turno. Pelo que sei, quando Freixo anunciou a desistência de sua candidatura, o PSol e, pelo menos o PCdoB, instaram com ele para que reconsiderasse a decisão.

Corre a versão, dita oficial, de completa verossimilhança e foros de verdade, de que Freixo desistiu porque o PDT de Carlos Lupi, presidente da sigla, um lugar-tenente de Ciro Gomes, resolveu lançar candidatura própria e não o apoiou.

Lupi na eleição para governador do Rio, em 2018, chegou a fazer autocrítica pública: classificou como um erro o PDT ter lançado candidato no 1º turno, pois já deveria ter apoiado… Eduardo Paes. Acho que à época Paes estava no PMDB, mas a gente nunca sabe: de dia este político da direita reacionária está no PMDB (MDB), de noite no PFL (DEM), e vice-versa: oportunismo completo é a essência de políticos carreiristas burgueses tipo Eduardo Paes.

A “autocrítica” é um retrato de corpo inteiro do Lupi.

 

É MUITA POLITICAGEM

CONTRA A POLÍTICA DEMOCRÁTICA

Aliás, Ciro Gomes, na eleição da prefeitura carioca, em 2016, já apoiara o golpista Pedro Paulo, candidato de Eduardo Paes. Pedro Paulo e Eduardo Paes foram tão golpistas, que Pedro Paulo, então secretário municipal de Paes, se licenciou do cargo para votar a favor do “impeachment” da presidenta Dilma. Paes, e Pedro Paulo, (este apoiado por Ciro) posavam então de heróis do “impeachment”, isto é, do golpe.

A candidatura cirista na atual eleição municipal carioca foi a da delegada Martha Rocha, uma articulação reacionária, pois Martha homenageou o golpista Sérgio Moro na Assembleia Legislativa do Rio, em 2019!, quando, inclusive, Moro, era ministro da Justiça de Bolsonaro.

E Martha, apesar de fantasiada de “progressista”, jamais enganou a militância de esquerda bem informada: ela, entre outras, apoiou o reacionaríssimo bandido Aécio Neves (PSDB) na eleição presidencial de 2014.

O jornalista Hugo Souza escreveu com muita propriedade o seguinte:

Eu não ia, mas vou.

Vou dizer:

Liderança que condiciona lançamento de candidatura importantíssima de esquerda (a nível local e a nível nacional) a apoio da mixórdia que virou o PDT (é essa a explicação “oficial”), francamente, não merece liderar porra nenhuma.

O PSol poderia estar agora no segundo turno com possibilidade realíssima de vitória nas duas principais capitais do país, que seriam – notem, as duas principais capitais do país – fundamentais trincheiras contra o fascismo. É o nome do inimigo: fascismo.

Mas o Freixo, que certamente estaria no segundo turno no Rio, desistiu.

Eu não engulo. E acho, humildemente, com todo respeito, que ninguém com maior influência nos rumos do campo democrático deveria engolir erro tão crasso, catastrófico“.

ELEITORALISMO NO

LUGAR DA LUTA POPULAR

Completo o que o Hugo disse:

Freixo correu da raia fazendo cálculos eleitoreiros para sua carreira política. Mas, até deste ponto de vista, os cálculos se mostraram tacanhos.

Em 2016, a Globo o apoiou contra Crivella. A Globo sabe o que faz, é o grande partido político da direita (sempre golpista) no Brasil: duvido que a Globo apoiasse algum dia, por exemplo, um Guilherme Boulos.

Seria muito improvável que o atual candidato das forças democráticas e populares em São Paulo, Boulos, tivesse uma atitude de desistência semelhante à de Freixo no Rio.

Boulos tem muito mais identificação com a corrente democrática e popular do que Freixo.

Na foto, convescote em que Freixo participou, rasgando seda com a golpista Janaína Paschoal – atualmente deputada estadual em São Paulo na sigla neofascista do PSL -, uma das proponentes do processo jurídico de “impeachment” da presidenta Dilma.

(*) Antônio Augusto é jornalista


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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