Por Marcelo Barbosa (*)

                       “De onde menos se espera, daí é que não vem nada”

                                                                      Barão de Itararé[1]

Em tempos de notícias políticas escatológicas, as referências ao Barão de Itararé têm sido frequentes. A última surpresa veio com a matéria publicada no portal 247 no dia 17/03, informando que o deputado federal Marcelo Freixo do PSOL em estaria fazendo duras críticas ao PT. A fala de Freixo (Historiador pela UFF) teria sido extraída da entrevista a Fabio Pannunzio (TV Democracia).

Na ocasião, Freixo condenou o que chamou de “negacionismo da esquerda” em não admitir os erros verificados nos governos petistas. Fica aqui a indagação: o que Freixo está querendo com essa fala? Demonstrar, como de praxe, sua “pureza”? Que é um politico “limpinho” e “cheiroso”? Nessa altura do campeonato, depois de tudo que foi revelado sobre a “Lava jato” resgatar uma fala tipicamente cirista, minimante estaria acenando para aqueles que são críticos ao PT.

Disse também que Lula tem todo direito de ser candidato, mas em seguida, advertiu: “Espero que não repitam os mesmos erros de 2018, os mesmos hegemonismos”. Aqui, a perplexidade ganha ainda mais força! Será que Freixo estaria defendendo, agora, que Lula e Haddad deveriam ter aberto mão para a candidatura de Ciro Gomes em 2018. Como assim Freixo! Hegemonismo? É bom lembrar que em 2020 o PT abriu mão da cabeça de chapa no Rio de Janeiro para ele. A Benedita da Silva teve que assumir o posto reservado no último momento, quando Freixo formalizou que não iria fazer mais a disputa. A situação foi tão constrangedora que o PSOL improvisou a companheira Renata Souza, que diante da dificuldade e rolo causado por Freixo obteve menos votos (85.272) que o Tarcísio Motta (Historiador pela UFF), candidato a vereador do Partido (86.243). Parece que Freixo esqueceu que o PT, além do Rio de Janeiro, abriu mão da cabeça de chapa em Porto Alegre em direção à companheira Manuela D’ávila (PC do B). Abriu mão da cabeça de chapa em Belém em direção a Edmilson (PSOL), Também em Florianópolis em direção a Elson Pereira (PSOL). Isso para ficar somente em algumas capitais.

A matéria do 247 ressalta que Freixo estaria muito incomodado com a sua situação no PSOL, devido a estreita política de alianças do partido para a viabilização de sua candidatura para governador. Dessa forma, indica o texto, que Freixo estaria inclusive conversando com lideranças do PSDB do Estado do Rio. Notícias de bastidores apontam que as conversas em que Freixo tem mantido, ele não nega mais sua saída do PSOL, é só questão de tempo. Diante desse dilema Freixo estaria de olho também no PSB, mas Alessandro Molon, deputado federal (Sociólogo pela UFF) estaria colocando barreiras. Em relação ao PT, é Freixo que tem resistência, pois diz que seu retorno ao ninho petista acabaria atraindo as forças do antipetismo a sua candidatura a governador. No campo da esquerda restaria o PDT, Freixo tem sido visto com frequência em conversas com Carlos Lupi (Presidente do PDT), lá as coisas também não são fáceis. O ex-prefeito Rodrigo Neves (Sociólogo pela UFF) também tem interesse na disputa para o governo e estaria colocando resistência a candidatura de Freixo. Até agora Freixo tem negado a sua ida para o PDT, mas o tom “cirista” de suas falas públicas tem o denunciando. Nesse contexto, outro dito popular chega à mente, “[…] tem cara de jacaré, rabo de jacaré, dente de jacaré […] então é jacaré […].” Melhor aguardar o desfecho dessa história.

Nos meios políticos de esquerda uma lição se confirma. Os mais experientes dizem que em tempos de estabilidade as situações de curto e médio prazo são mais previsíveis, relegando assim, as imprevisibilidades para as situações de longo prazo. Em tempos de crise, a situação se inverteria, ou seja, a imprevisibilidade estaria relacionada às situações de curto e médio prazo, e os prognósticos mais convictos estariam mais reservados para o longo prazo. Baseado nisso, o que Freixo vai fazer da vida, ninguém sabe, talvez nem ele, mas uma coisa é certa, as Ciências Humanas da UFF estão em alta no Rio de Janeiro.

(*) Marcelo Barbosa é militante da Articulação de Esquerda e do Núcleo do PT da UFF. Historiador pela UFF.

Referências:

https://www.brasil247.com/brasil/freixo-critica-negacionismo-da-esquerda-em-nao-admitir-os-erros-dos-governos-petistas

https://www.youtube.com/watch?v=MqSSSsYHHg8

[1] Apparício Torelly, o Barão de Itararé, foi jornalista e vereador pelo PCB nos anos 40 pelo Rio de Janeiro.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

Este post tem um comentário

  1. Vicente M Rodrigues

    Sempre que ouço essa conversa de hegemonia, hegemonismos… Lembro da história de Stalin perguntando “…O papa, quantas divisões tem o papa?…”
    Vale o mesmo para os adversários de esquerda, quantas “divisões”, diretórios, militantes, lideranças, votos… tem esse povo que reclama?

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