Por Selma Regina Furio Vieira (*)

As eleições municipais de 2020 trouxeram a necessidade de uma análise a respeito do papel que as candidaturas petistas protagonizaram em todo o país e também na nossa cidade de Franca, interior de São Paulo. Nosso diretório municipal ainda se reunirá para discutir e tecer suas considerações em momento oportuno, mas isto não impede seus filiados e militantes de sistematizarem suas impressões e dialogarem em busca de uma melhor compreensão de todo processo.

Minha análise tem como base alguns fatores que são caros ao partido, como por exemplo: o de conscientização e mobilização da classe trabalhadora; as pautas sociais; as políticas públicas para as minorias em direitos; a identidade partidária; a defesa do legado petista; a defesa de Lula perante a sociedade; a pauta do diretório municipal, que tinha como objetivo a reinserção do partido no cenário político da cidade e, principalmente, a volta à Câmara Municipal.

Levando em consideração que Franca é uma cidade extremamente conservadora e que o partido, a partir da eleição do segundo mandato do ex-prefeito Gilmar Dominici, foi vítima de forte campanha midiática simbolizada pela frase “PT nunca mais”, podemos dizer que a campanha, muito bem produzida visualmente, conseguiu reinserir o PT no cenário, visto que o jovem candidato conseguiu a simpatia de parte considerável da população. Isto culminou em uma votação expressiva de 17.357 votos (12,10% dos votos válidos), bem como uma aliança com o PDT e o PCdoB, formando uma frente de esquerda histórica dentro da cidade. Houve também êxito em relação à volta à Câmara, já que o partido conseguiu eleger um vereador.

Mesmo reconhecendo as vitórias acima descritas, o resultado eleitoral não foi, propriamente, uma vitória política, pelos seguintes motivos: não houve defesa do legado do governo petista na cidade e, tal fator, era importante já que na época do mandato de Gilmar Dominici foram realizadas grandes obras como a construção do Hospital do Câncer, do terminal de ônibus, do Jardim Zoobotânico, os mutirões habitacionais, a construção de 21 escolas, entre outras obras que sequer foram citadas durante toda a campanha. Assim sendo, a população, especialmente a mais jovem que cresceu ouvindo que o PT “destruiu a cidade”, continuou sem conhecer as realizações do governo petista.

Não houve combate ao antipetismo, pois o legado federal dos governos Lula e Dilma (que sequer apareceram na candidatura majoritária) não foi citado uma única vez.

A campanha teve predominantemente a cor azul e a estrela foi encolhida, o que causou a ausência de identidade visual, além de outros fatores que deixaram a desejar, como: falta das pautas sociais; falta de diálogos de luta de classe; falta de discurso contra o governo neoliberal de Bolsonaro; ausência da apresentação da chapa proporcional pela majoritária nas propagandas políticas ou de pedidos de votos na legenda.

Assim sendo, embora a bela campanha tenha obtido êxitos eleitorais, os mesmos ainda não podem ser considerados como vitória política, especialmente se levarmos em consideração que a atual situação do PT requer estratégias que vão além de campanhas personalizadas; e que a correlação de força entre candidatos, militância e lideranças devem influir para que as vitórias sejam umbilicalmente ligadas.

(*) Selma Regina Furio Vieira é militante do PT.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

Comente!