Por Marcos Jakoby (*)

Fernanda Melchionna, deputada federal pelo PSOL/RS, publicou um post no twitter com o seguinte conteúdo:

Temos diferenças econômicas profundas com Maia mas igualar ele com um fascista é um erro que só ajuda o fascista a eleger seu candidato a presidente que é Artur Lira. Tudo que ajuda Bolsonaro sou contra. Por isso, defendo participação no bloco democrático. O Psol fará esse debate!

Discordo em boa medida das afirmações de Fernanda. Em primeiro lugar, nós não temos “diferenças” econômicas com Maia, mas sim antagonismo. Fazemos oposição global ao programa econômico representado por Maia. Aliás, ele vive cobrando mais agilidade do governo Bolsonaro na implementação do programa ultraliberal, vide a reforma administrativa.

Segundo, não são apenas “diferenças econômicas”, mas são políticas. Maia apoiou o golpe, foi eleito presidente da Câmara para essa legislatura com o apoio de Bolsonaro, age como bombeiro nas crises do governo, engaveta mais de 50 pedidos de impeachment e agora é pintado como “democrata”? Estão habilitando o Maia como um antípoda do Bolsonaro. Nada mais falso.

É um erro a oposição de esquerda não apresentar uma candidatura. “Ah, mais não tem chances de vencer!” Bom, se não for vitoriosa, há o segundo turno para votar-se no candidato menos golpista. Agora, abrir mão de fazer o debate, de apresentar publicamente nossas posições de combate ao neofascismo e ao ultraliberalismo, de manter nossa coerência, é um equívoco. Gera confusão e dispersão. Acaba por colocar a esquerda numa posição subordinada a uma fração do golpismo.

Fernanda diz: “tudo o que ajuda Bolsonaro, sou contra”. Eu diria, “tudo o que ajuda o neofascismo e o ultraliberalismo, sou contra”. Afinal de contas, Bolsonaro é, na essência, um instrumento das classes dominantes para aplicar esse programa ultraliberal, o qual está forjando uma crise e uma destruição do país sem precedentes. Se não queremos pavimentar o caminho para outros representantes governarem com o mesmo programa, se queremos sair da situação de defensiva tática e estratégica, a primeira coisa a fazermos é nos posicionarmos com independência de classe e construirmos uma alternativa popular para a crise.  E a batalha pelas presidências das mesas diretoras do Congresso não podem estar dissociadas dessa luta geral.

(*) Marcos Jakoby é professor e militante do PT


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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