Por Valter Pomar (*)

Boa tarde companheiras, boa tarde companheiros.

Inicialmente quero destacar:

1/ a necessidade de convocar prontamente um DN com mais tempo, para deliberar;

2/ a necessidade de convocar um encontro extraordinário para definir nossa linha para o período 2021-2022;

3/ a importância de aprovarmos uma resolução reforçando a convocação do dia nacional de luta no dia 24 de março, semana que vem.

Isto posto, eu quero usar o restante da minha fala para resumir as ideias principais da contribuição que Jandyra, Natalia, Patrick, Júlio e eu apresentamos para esta discussão.

Primeiro, é muito importante que tenhamos recuperado nossos direitos políticos.

Pois é preciso destacar isso: não foi Lula que recuperou seus direitos, foi a maioria do povo que recuperou o direito de poder votar nele para presidente da República.

Segundo, esta decisão não resultou principalmente de nossas pressões e lutas, mas sim decorreu principalmente dos conflitos entre as diferentes facções do golpismo.

Terceiro, esta decisão veio com 5 anos de atraso.

Se a decisão tivesse vindo em tempo hábil, muito provavelmente Lula teria sido candidato, teria vencido as eleições de 2018 e teríamos conseguido fazer aqui o que conseguimos fazer na Argentina e na Bolívia.

Portanto, não podemos esquecer nem perdoar: Fachin e os demais são cúmplices de toda a desgraça que se abateu sobre o país, inclusive os quase 300 mil mortos e os quase 40 milhões de desempregados.

Esta gente toda terá que ser julgada e não me refiro a julgamento pela história.

Quarto, como já foi dito aqui, esta decisão não é fato 100% consumado.

O impacto da decisão, tanto no povo e na esquerda, quanto nas diferentes facções da direita, foi muito grande.

Isto significa que é líquido e certo que virá reação do lado de lá, ou melhor, virão diferentes reações dos diferentes setores que compõem o lado de lá.

Que reações? Sem que isso signifique hierarquia de probabilidades, vou listar algumas destas possíveis reações vindas dos diferentes setores do lado de lá.

1º tentar reverter a decisão no plenário do STF

2º atentar contra a vida de Lula

3º restringir brutalmente as liberdades

(não vamos minimizar estas prisões e processos com base na LSN, atentados que começam a ocorrer, a autorização judicial para comemorar o golpe militar de 1964, a disseminação de armamento automático em mãos de gente rica, nem vamos desconhecer que alguns destacamentos militares programaram operações de GLO nesta segunda quinzena de março)

(aliás, no limite não devemos nem mesmo desconsiderar uma operação do tipo “tirar o bode da sala”, em que Mourão e outros setores das forças armadas entreguem o anel para preservar os dedos)

4/tentar construir uma candidatura de terceira via, capaz de ir ao segundo turno e vencer no segundo turno, seja contra Bolsonaro, seja contra Lula

5/tentar seduzir o PT para uma suposta “unidade nacional”, nos fazendo assumir compromissos com a continuidade de aspectos do programa da “ponte para o futuro”.

E é preciso diferenciar o apoio de arrependidos, não importa se honestamente arrependidos ou não, da tentativa de nos comprometer com a preservação do que eles fizeram.

Neste sentido foram muito importantes várias afirmações que Lula fez no discurso de 10 de março. Por exemplo o que ele falou sobre a Petrobrás.

É preciso ficar claro que queremos voltar para desmontar a “ponte para o futuro”.

6/e no limite pode ocorrer de parte importante das elites apoiarem novamente o genocida no segundo turno

Não devemos subestimar nenhuma destas operações.

Nem devemos subestimar o Bolsonaro, que segue demonstrando resiliência e capacidade de reação.

E que pode se beneficiar do fato da eleição estar marcada para 2022, quando a tendência é que a situação esteja melhor do que agora.

Esse é um dos motivos pelos quais não devemos nem podemos cometer o erro de achar que a disputa com Bolsonaro será resolvida em 2022, pela via eleitoral.

Pode ser que venha a ser assim.

Mas o melhor para nós é que a disputa com Bolsonaro seja resolvida agora, na disputa política em torno da vacina, do auxílio, de medidas em favor do emprego e do desenvolvimento.

As pessoas estão sofrendo e morrendo aqui e agora.

E é preciso politizar esta disputa, colocando como parte decisiva de nossa ação a luta pelo Fora Bolsonaro, pelo impeachment, pela interdição imediata de Bolsonaro.

Até porque não podemos dizer que o presidente é genocida e não tomar medidas à altura disto.

Aliás, esta nossa reunião começou as 15h.

Duas horas e 30 minutos depois, morreram mais de 225 pessoas de Covid 19.

A cada dois minutos, morrem 3 pessoas.

Também por isso não basta FALAR de impeachment, é preciso mobilizar e articular efetivamente no sentido de afastar AGORA este cidadão.

Não em 2022, mas agora.

Neste sentido, reitero a importância de fazer do dia 24 de março um momento de medir forças.

E de tomar outras medidas nesse sentido.

E é preciso achar maneiras e formas de mobilizar presencialmente.

Nos Estados Unidos a mobilização “vidas negras importam” – mobilização que ocorreu no meio da pandemia — foi fundamental para derrotar Trump nas eleições, pois engajou eleitoralmente setores que antes não estavam dispostos a isto.

No Paraguai, neste momento, está em curso uma forte mobilização de rua contra um governo que não está fazendo a coisa certa no combate à pandemia.

E no Brasil é indispensável que recuperemos todos os espaços, inclusive as ruas. Não dá para deixar as ruas com a direita, nem dá para nossa mobilização presencial começar apenas depois da vacinação e da decorrente imunização.

É preciso achar meios e formas, adequadas a cada situação concreta, para reforçar nossa presença nas ruas.

Por fim, quero reforçar muito o que o Humberto disse aqui: a instabilidade é um traço dominante da conjuntura.

E é assim por conta da crise, da profunda crise em que estamos metidos.

Uma crise desta exige de nós, exige do PT e de toda a esquerda, mais capacidade política, mais unidade de comando e mais capacidade de pronta resposta.

E temos que reconhecer que estamos muito longe disto.

Eu quero terminar registrando que hoje a Fundação, a Escola e a SNFP lançaram o ciclo de 13 jornadas de debate sobre o socialismo no século XXI.

Por sugestão do Aloizio Mercadante, começamos neste dia 18 de março exatamente para homenagear os 150 anos da Comuna de Paris.

E um dos ensinamentos da Comuna e de todas as outras lutas que vieram antes e depois é que a classe dominante é impiedosa, desalmada e brutal.

Até por isso, precisamos manter nossa guarda bem alta, inclusive porque 31 de março e Primeiro de abril estão logo ali.

Muito obrigado.

(*) Valter Pomar é professor e membro do Diretório Nacional do PT

 

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