Nesta entrevista a Júlio Quadros, nossa candidata à presidência do PT Rio Grande do Sul fala de Bolsonaro, de Leite, do Partido e do papel da militância.

Página 13. Qual a avaliação que você faz da presença dos filiados e militantes do PT na primeira etapa do 7º Congresso partidário?

Ana Afonso. A mobilização foi além do esperado. O PT do Rio Grande do Sul teve um crescimento no número total de votantes, o que significa que, em alguma medida, aumentou a mobilização da base do PT. Por onde andei, encontrei uma militância disposta a ir para a luta, com firmeza e disposição, mostrando um perfil desacomodado. O PT está vivo, grande e forte, apesar dos ataques que estamos sofrendo constantemente no último período. A militância quer participar, estar ativa na mobilização, fazer a luta nas ruas. Contudo, anseia por uma agenda que a oriente, por um partido que não seja apenas de eleições e gabinetes, mas esteja presente e articulado durante todo o ano, nos diferentes espaços da sociedade.

 O que você pensa que cabe ao PT frente a um governo que retira direitos, entrega a soberania e ameaça a democracia e os direitos?

Estamos vivendo um período de profundos retrocessos, nosso país voltou a ser internacionalmente subalterno, novamente a questão social é tratada como “caso de polícia”, estamos num Estado de exceção com forte influência dos militares. O PT precisa adotar uma nova estratégia, para esta nova situação política, ou seja, nova maneira de travar a luta cultural, a luta social, a luta eleitoral/institucional. Almejar transformar a classe trabalhadora em classe dominante, tendo como principal objetivo estratégico a conquista do poder popular e abandonar as Ilusões do caráter de suposta neutralidade do aparato estatal.

Qual o papel do PT na oposição ao governo Leite?

O governo Leite é a continuidade do projeto de Sartori, e elevará o nível de precarização do serviço público, especialmente, na educação, além de ter caráter altamente privatista. Está colocando o Rio Grande do Sul à venda e adota um perfil autoritário, retirando da Constituição Estadual a obrigatoriedade da consulta à população. O PT gaúcho precisa enfrentar esse governo, um PT aliançado com os movimentos sociais, de fora para dentro, debaixo para cima, e não somente no parlamento. Representar um projeto de desenvolvimento do Estado conjugado com uma política econômica de distribuição de renda e geração de emprego.

Que partido você encontrou na campanha de 2018 e agora na mobilização do PED?

O PT que encontrei nas eleições de 2018 foi um PT bastante fragilizado. Não havia uma sintonia da direção partidária com a base militante. Tivemos profundas dificuldades na elaboração da nossa estratégia política para retomar o Estado e na elaboração de um programa que tocasse corações e mentes das trabalhadoras e dos trabalhadores. Foi a primeira vez que o PT não conseguiu ir para o segundo turno. Precisamos superar o grau de burocratização em que se encontra a direção partidária, estar mais presentes na vida política do PT, nas regionais, nas cidades, dar suporte político aos vereadores, vereadoras, prefeitos e prefeitas, incluindo a militância como um todo. O PED demonstrou que nossa militância está carente de debate estratégico e direção, quer fazer a luta, mas a agenda não está clara.

Qual a importância de uma mulher e professora assumir a condição de candidato à presidência do PT gaúcho?

Penso que afirma a necessidade de um perfil militante e de resistência, ao mesmo tempo em que aponta o empoderamento das mulheres para fortalecer a construção partidária e a luta na sociedade. Estamos em tempos de guerra, e o PT precisa ser “sacudido” para enfrentar os desafios colocados. Essa guerra é do empresariado contra os trabalhadores, dos machistas contra as mulheres, da ignorância contra a educação libertadora. Precisamos de um partido que seja capaz de promover uma revolução política e cultural, um PT de militantes e não de filiados, de todos os dias e não de eleições. Ou nos organizamos e fazemos a luta ou será a barbárie.

E o papel da luta por Lula Livre, como construir isto em cada estado?

A condenação e prisão de Lula ferem de morte a democracia. Mas também produzem uma carga simbólica imensa para a classe trabalhadora. Coloca na classe trabalhadora o sentimento de medo, paralisia, desmoraliza. Precisamos enxergar essa luta como central. Em todos os Estados essa luta deve ser articulada, fortalecida e impulsionada.

Por fim, qual o papel do PT gaúcho na reafirmação do projeto petista combativo no Plano Nacional?

O PT gaúcho tem uma importância enorme dentro do contexto nacional. Leite é Bolsonaro, Bolsonaro é Leite. Não podemos ter dúvidas, em que pese os perfis diferentes de um e de outro, mas quem eles representam (a elite) e o projeto que defendem, é contra o povo pobre e a classe trabalhadora como um todo. Nossa agenda estadual tem de apontar uma estratégia para o Rio Grande do Sul e para o Brasil, afirmando a soberania nacional como central.

 

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