Por Sérgio Henrique (*)

No último texto que escrevi – que pode ser acessado no link https://www.pagina13.org.br/apos-a-parada-forcada-do-neoliberalismo-e-fora-bolsonaro-mourao-moro-guedes/ – expus um questionamento e algumas respostas apontaram para um equívoco no título do texto:  de que teria havido uma “parada forçada” do neoliberalismo no Brasil.

Em primeiro lugar, a despeito das particularidades nacionais, a lógica neoliberal, articulada com a reestruturação produtiva, acontece internacionalmente. Para além da articulação mundial, o “Estado mínimo” só é diminuído para as políticas de bem estar coletivo, como está nítido por meio da previsão pífia de apenas 4% do PIB no combate a crise sanitária comparada com os 37% previstos do PIB da Alemanha, enquanto que para o capital financeiro e os mais ricos o Estado possui mecanismos para salvar os bancos privados.

Nesse contexto, o neoliberalismo ainda não “parou”, pelo contrário, a política de salvamento está acontecendo quando o Banco Central “resolve manter a liquidez no sistema [financeiro]” através da liberação de um pacote de 1 trilhão e 216 bilhões de reais dos recursos depositados compulsoriamente neste banco.

Para além das discussões sobre os altos rendimentos dos bancos privados, parte desses recursos são públicos e deveriam ser destinados aos serviços de maior necessidade pública no atual momento, principalmente com gastos de prevenção, enfrentamento e cura da doença causada pela COVID-19.

Por outro lado, cresce a pressão social para que os bens existentes na estrutura pública estejam disponíveis para atender as necessidades básicas da população, como é o caso da merenda escolar em Teresina. O ideal é que todos os recursos que foram extraídos do povo, através de impostos, sejam revertidos para suprimento das famílias e indivíduos mais vulneráveis socialmente.

Esse ideal de utilidade da riqueza, acumulada com o trabalho de milhões de brasileiros, é possível ser materializado se o atual tipo de Estado for substituído por outro, que corresponda aos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora. Um passo importante dessa caminhada é a movimentação social da classe trabalhadora por meio de seus movimentos organizados concomitantemente com a mudança da estratégia geral do Partido dos Trabalhadores. A atual crise demonstra mais uma vez ao PT de como os interesses do capital financeiro e da classe trabalhadora são inconciliáveis e que, por mais que as necessidades exijam um rumo diferente, aparecerão sempre os representantes do capital contra o povo.

É exatamente pelo fato das necessidades de parte dos capitalistas e do conjunto da classe trabalhadora exigirem um rumo diferente do apontado pelo ministro Paulo Guedes que os grandes meios de comunicação e parte dos economistas burgueses disputam a opinião pública com uma narrativa e propostas com aparência civilizada, através dos grandes meios de comunicação, com destaque para TV Globo.

O PT acertou com a proposta de um salário mínimo como seguro quarentena, mas isso é insuficiente diante dos desafios estruturais decorrentes do impasse acerca de qual caminho a ser adotado para a recuperação econômica depois do surto da doença no país.

O desfecho para esse impasse dependerá em parte se conseguirmos eleições livres e diretas para presidente e também no sucesso ou não dos atuais movimentos da Direita na tarefa de disputa da opinião pública.

Por enquanto, nas redes sociais, a campanha pelo “Fora Bolsonaro e sua turma de golpistas” deve ser trabalhada expondo os pontos defeituosos do capitalismo na superação da presente crise para transformarmos em força popular nas ruas, depois.

(*) Sérgio Henrique é militante do PT de Teresina.

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