Ativista foi preso em 1971, aos 19 anos, acusado de matar policiais; diversas evidências apontam sua inocência

Publicado originalmente no Opera Mundi

Segundo o jornal The Guardian, a justificativa dada pelas autoridades foi a de que Muntaqim expressou “remorso” pelo crimes cometidos e de que seu sentimento “era genuíno”.

O ex-Pantera Negra, hoje com 68 anos de idade, foi preso em 1971, aos 19 anos, acusado de matar dois policiais durante um tiroteio no bairro do Harlem, em Nova York.

Apesar de diversas evidências surgidas ao longo dos anos apontarem sua inocência, Mustaqin ficou preso quase meio século e vinha tendo, até essa semana, todos os seus pedidos de liberdade condicional negados.

À época da condenação, a principal testemunha, um outro membro dos Pantera Negras chamado Ruben Scott, chegou a reconhecer que incriminou Mustaqin e outros envolvidos na morte dos policiais após sessões de tortura, o que não impediu que seu depoimento fosse validado e o pedido de um novo julgamento pela defesa negado.

Além disso, um relatório balístico do FBI chegou a constatar que a arma em posse do ativista no momento de sua prisão não correspondia aos projéteis encontrados nos corpos dos policiais mortos. O parecer federal foi substituído pelo da polícia de Nova York, que oferecia uma conclusão oposta.

Albert “Nuh” Washington e Herman Bell foram outros dois militantes condenados no mesmo processo. Em 2000, Washington morreu de câncer na prisão. Bell, por sua vez, conseguiu sua liberdade condicional em 2018, aos 70 anos de idade.

Reprodução/Jericho Movement
Ativista foi preso em 1971, aos 19 anos, acusado de matar policiais; diversas evidências apontam sua inocência

Revolucionário

Nascido em Oakland, Califórnia, filho de negros admiradores do pacifismo de Martin Luther King, Mustaqin, que fora batizado como Anthony Bottom, mas adotou outro nome após conversão para o islamismo, decidiu ingressar no Partido dos Panteras Negras aos 17 anos de idade.

A organização revolucionária socialista, fundada no final dos anos 1960, era então uma das principais referências da nova geração de lutadores pelos direitos da população negra e trabalhadora dos EUA.

“Perdi qualquer esperança que os negros pudessem lutar sem apelar à autodefesa, sem responder à violência policial e dos grupos racistas. Ainda não tinha 17 anos, mas decidi me inscrever nos Panteras Negras, para desgosto de minha mãe”, contou o ativista a Opera Mundi no ano de 2016.

Após sua filiação, aceitou participar do braço armado dos Panteras, mais tarde chamado de Exército Negro de Libertação (BLA, na sigla em inglês).

Durante a prisão, o ativista se formou em Psicologia e Sociologia, além de ter escrito romances e poemas. Mesmo encarcerado, Mustaqin não deixou a luta social e se tornou uma das principais figuras pela libertação dos presos políticos nos EUA.

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