Por Guida Calixto (*)

A perspectiva que temos para Campinas em 2020 é de muita luta e persistência em defender uma cidade, para que seja administrada para o conjunto da classe trabalhadora.

Campinas não está alheia ao desmonte que o Estado Brasileiro enfrenta hoje, pois toda a dificuldade enfrentada seja na esfera econômica, social, cultural e ideológica do programa ultraliberal e reacionário do governo Bolsonaro, também presenciamos em nosso município. Até porque o prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB/PSDB), apoiou o golpe de 2016 que afastou a presidenta Dilma e o PT do governo federal. O golpe que teve como foco central o ataque aos direitos da classe trabalhadora, como a reforma trabalhista, a reforma da previdência, congelamento dos investimentos em serviços públicos por 20 anos, cortes no orçamento público, ataque à soberania nacional, realinhamento a política externa estadunidense, enfraquecimento das liberdades democráticas e retirada do povo dos direitos duramente conquistados.

No campo dos direitos sociais, a população de Campinas enfrenta o desmonte da educação pública, como falta de vagas em creches e a entrega do ensino fundamental para o projeto de escolas cívico-militar do governo Bolsonaro, entre outros. Campinas foi a única cidade do estado de São Paulo a aderir a esse projeto que rompe com o modelo de educação emancipadora que é crítica e livre para impor o modelo educacional de pensamento único, alienante e opressor.  Para o déficit de vagas, o prefeito já apresentou um programa de “compras de vagas” do setor privado, ou seja, a terceirização do atendimento.

Na saúde, já estamos sofrendo os efeitos da implementação da EC. 95 que foi de forma justa apelidada de PEC da morte, pois ela contribui para a retirada do caráter universal de atendimento do SUS. Com a redução do orçamento da saúde pública, teremos um serviço oferecido de forma reduzida, até porque não é interesse do governo federal acabar de vez com o SUS, pois esse governo ultraliberal vê no SUS um importante espaço para acolher as grandes empresas parceiras dele que lucram com a saúde publica. O governo Bolsonaro aposta é em ter um serviço precário para oferecer aos trabalhadores, e na rede básica de saúde de Campinas não é diferente, pois faltam médicos, medicamentos, exames, condições de trabalho, trabalhadores e novas unidades de saúde para atender a população. O clamor da população trabalhadora na cidade é intenso devido ao descaso na saúde publica que é a marca central do governo Jonas Donizette. Muitos dizem que vamos sofrer o processo de “INAMPSAÇÂO do SUS”. Aqui em Campinas, isso já é uma realidade.

Defensor da reforma da previdência do governo Bolsonaro/Guedes, Jonas tenta cotidianamente desmontar o Instituto de Previdência dos servidores municipais- Camprev, criado em 2004 pelo governo Toninho/Izalene (PT). Essa investida consiste em implementar o projeto de reforma da previdência do governo federal em Campinas, que resumidamente aumenta o valor da contribuição previdenciária e aumenta o tempo de trabalho do funcionalismo municipal. Isso tudo, porém, visando a utilização dos recursos previdenciários do servidor para “fechar as contas da prefeitura”, gastos realizados entre seu primeiro e segundo mandato.

Aéreas como urbanismo, cultura, transporte público e outras, também não são tratadas do ponto de vista da prioridade ao atendimento à população em busca da qualidade, mas sim do ponto de vista do interesse do empresariado parceiro do executivo local. Totalmente alinhado com o programa nacional de desmonte do Estado Brasileiro.

Assim, o nosso município também se apresenta como um território de combate a todo esse desmonte que estamos presenciando. Não podemos esquecer que a nossa cidade tem um parlamento municipal que na sua maioria mantém uma relação clientelista e de total submissão aos interesses do executivo local, pois que silenciam e também aprovam todo esse desmonte das políticas públicas locais. Outras vezes blindam o prefeito quando recebem alguma denúncia que possa desgastar sua imagem.

Por isso a palavra de ordem em 2020 é: Em Campinas, a luta continua!

Continua para a classe trabalhadora moradora nas regiões periféricas usuária do transporte público da cidade que tem a passagem mais cara do país, comprometendo mais que ¼ da sua renda. Preço abusivo e injustificável, pois a logística de linhas é precária, sem a função do cobrador que foi retirado pelo governo Jonas, com uma frota de carros antigos e sucateados, sem nenhum auxílio ao passe livre estudantil. Em contrapartida os empresários do setor recebem altos subsídios no fornecimento de um serviço precarizado.

A luta continua também para as mulheres trabalhadoras que tanto necessitam da oferta de um serviço público de saúde, educação, transporte e outros, que sejam fornecidos com qualidade para si e para sua família, pois atualmente elas continuam sendo as principais responsáveis pela sobrevivência de suas famílias. Sobretudo para as mulheres negras que além sofrerem duplamente com todo esse desmonte, por estarem na base econômica da pirâmide, têm sido na cidade de Campinas as grandes vítimas de feminicídio, tendo em vista que aqui, os números desse crime são superiores à média estadual, porém nacionalmente esse número diminuiu entre as mulheres não negras.

A juventude estudantil e trabalhadora terá muita luta a fazer, para ter respeitado seu direito a cidade, direito a políticas públicas especializadas com relação a esse seguimento tão vulnerável em direitos e tão perseguido pelos aparelhos de repressão do Estado.

A Campinas de 2020 se apresenta como um espaço de batalha na defesa da democracia, das liberdades democráticas, contra o desmonte das políticas sociais, por mais direitos e pela preservação da vida!

(*) GUIDA CALIXTO é monitora infantil na Secretaria Municipal de Educação em Campinas e Advogada.

 

 

 

 

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