Por Suelen Aires Gonçalves (*)

Estamos diante de uma conjuntura extremamente grave em nosso país. Vivenciamos uma crise social, econômica e política, profundamente agravada pela pandemia do COVID-19. E os desdobramentos da pandemia  avançam em ataques que já haviam ocorrendo em nosso país como condições precárias de trabalho, altas nas taxas de desemprego, ataque a seguridade social e ao serviço público de saúde, retorno da fome, da violência doméstica e familiar sem canais de enfrentamento a essa grande violação dos direitos humanos das mulheres e meninas, dentre outras questões que deixa nítido a inabilidade de Jair Bolsonaro e do seu governo para garantir direitos básicos como a saúde da população, salvar as vidas da população, resguardar os empregos e a renda, além de constituir uma constante ataque à democracia.

No estado do Rio Grande do Sul, contamos com um governo de Eduardo Leite (PSDB) que busca esconder seu alinhamento com o governo federal, do povo de vista estratégico, tentando transmitir uma postura de gestor comprometido com o povo e com a saúde em meio a pandemia. Porém, seu governo apresenta limites nítidos. Não tem uma postura de busca de alternativas diante da crise, não tem um quadro de secretários e política pública estadual altura do desafio colocado. Estamos enfrentando um cenário de seca e perdas econômicas importantes no estado, sem atuação ou presença do Estado na vida da população gaúcha.

E neste contento, estamos diante do calendário eleitoral de 2020. Estamos diante de um cenário fraturado e com muitas incertezas. Contamos com alterações importantes neste último período, como o caso da alteração legislativa que proibiu as coligações proporcionais nas eleições municipais, que podem produzir com grande número de candidatos a prefeito(a), e de uma certa maneira uma ampliação nas nominadas de vereadores(as). Ainda no mês de fevereiro, o Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores , reuniu-se e realizou um importante debate sobre o calendário eleitoral e neste encontro foi aprovada uma resolução sobre a política de alianças que prioriza a relação com aqueles partidos que compartilham com o PT o sentido de contraposição ao neoliberalismo, ao reacionarismo e ao bolsonarismo. O centro da política de alianças do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul vai no sentido de compor frentes de esquerda que signifiquem, simultaneamente, uma alternativa concreta de mudança nos governos municipais em favor da democracia, da igualdade e da distribuição de renda, e de combate a política de retirada de direitos implementadas pelos governos Bolsonaro e Leite.  “Nosso objetivo para essas eleições é que todos os municípios tenham o PT organizado e com representantes no parlamento e no maior número possível de cidades ocupando os cargos de prefeito ou vice”, destacou o presidente do PT no Rio Grande do Sul durante a reunião do Diretório Estadual.

Vejamos o caso da capital, Porto Alegre, como forma de exercício de análise. A busca pela construção de uma “Frente de Esquerda” com os partidos e movimentos sociais é o horizonte. Mas apresenta seus limites. Com a apresentação de candidaturas do campo como Juliana Brizola(PDT), Fernanda Melchiona (Psol) Teremos três fortes candidatas de esquerda em Porto Alegre e, diga-se três candidaturas femininas do campo progressista. Acumulamos o debate sobre a chapa majoritária em apoio a Manuela (PC do B) para cabeça de chapa e estamos no debate acerca da apresentação de um quadro do PT para composição. A Frente de Centro-Direita, também está buscando composições. O MDB perdeu 40% de sua bancada na janela partidária e com isso fortaleceu-se a hipótese de ter candidato próprio. Mas temos o PP e suas movimentações. O PTB que se afasta, momentaneamente do governo de  Marchezan . Temos a possibilidade, hipotética, da não consolidação do campo uma certa tendência de todos partidos terem candidatura própria. Na direita, contamos com Marchezan, que poderá ir à reeleição, com apoios já obteve a do PL e do PSL e, além, da via nítida da mídia local e golpista. PSD, com perfil semelhante. Além de PSD e o DEM, que disputando o mesmo espectro ideológico.

O cenário eleitoral encontra-se com muitas incertezas. Com a situação da pandemia e o calendário eleitoral que pode sofrer alterações ao longo dos próximo período nós, do Partido dos Trabalhadores e das trabalhadoras, buscamos apresentar ações e alternativas o povo gaúcho atuando na defesa da saúde, do emprego e da renda da nossa população. O momento exige protagonismo do PT para a construção da resistência na defesa da democracia, abrindo o caminho para a vitória da esquerda e de um projeto de futuro para nossas cidades. Estamos no processo que caberá aos diretórios municipais deliberar sobre a tática eleitoral e as candidaturas majoritárias, aprovação e convocação dos Encontros Municipais nos moldes aprovados pelo PT Nacional. Que tais espaços de debate e construção permitam uma habilidade para atuar de forma articulada com conjunto das forças populares que vise desencadear um método de maior engajamento nas redes de solidariedade e de mobilização para com nossa com a nossa militância, mesmo que de forma virtual, pavimentando o caminho para apresentação de nosso projeto político em âmbitos locais que esteja alinhada na luta por uma nova estratégia para o partido, por uma nova tática de confronto com o projeto (Utra)neoliberal apresentado pelo atual governo como trazemos em nossa  resolução de 3 de maio do corrente ano.

(*) Suelen Aires Gonçalves é feminista negra, socióloga e Secretária Estadual de Mulheres do PT do Rio Grande do Sul.

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