Em carta de apresentação escrita para o Página 13, a candidata a vereadora em Amambaí (MS) fala sobre sua trajetória.

Meu nome é Marta Soares Ferreira, mas me chamam de Martinha. Meu pai Albano Soares Ferreira, e minha mãe, Genir Ferreira, mudaram-se para Amambaí-MS no início dos anos oitenta em busca de uma vida melhor. Fui a primeira filha a nascer nesta cidade.

Homem negro e analfabeto, meu pai era um pequeno produtor rural e se destacou como verdureiro. Católico, foi integrante da Pastoral da Terra, participou da história de fundação e construção de uma capela e uma escola na Vila Cristina. Ele também atuou na política comunitária: foi presidente da Associação de Moradores da Vila Cristina. Além disso, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Amambaí.

Minha mãe também teve uma forte presença na militância comunitária, atuou na diretoria da Capela Rainha dos Apóstolos, onde instituiu a festa do dia das crianças e a oficina de corte e costura para mulheres trabalhadoras. Lutou por uma sala de alfabetização para adultos, na qual também seria aluna. Foi também protagonista na luta por escolas e creche na Vila Cristina.

Se me alonguei ao contar essa parte da história é porque essas questões interferem diretamente em minha trajetória: sou filha desta terra e das lutas travadas por meu pai e minha mãe para transformar esse mundo tão desigual. Acompanhei de perto as mudanças da Vila Cristina, bairro periférico no qual cresci e vivi. Oriunda de escola pública, minha dupla jornada – de estudo e trabalho – começou muito cedo, aos 12 anos, primeiro como babá e, depois, como trabalhadora doméstica. Aos vinte anos, ingressei na vida religiosa e, assim, mudei-me para São Paulo, onde me dediquei por oito anos aos ofícios missionários e aos cuidados com moradores e moradoras de rua. Peregrinei em diversos estados do país e conheci pessoas e histórias surpreendentes!

Depois desse período, retornei à minha cidade natal. Então, fiz licenciatura em Ciências Sociais e mestrado também nesta área. Fui bolsista e atuei no movimento estudantil como membro do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e presidenta do Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais. Foi no nesse período que entrei na JPT, nesses movimentos obtive formação política.

Dei aula na rede pública e, atualmente sou indigenista e pesquisadora em estudos culturais.

Divido minha trajetória porque é graças a ela que conquistei maturidade e postura crítica em relação à sociedade que vivemos. Sou filiada ao PT, e o atual contexto político do Brasil e do mundo exige mais representatividade de mulheres sobretudo as negras em espaços de poder. Sou filha da luta: sei que posso contribuir com a cidade! Amambaí é o lugar onde nasci, cresci, desfrutei da educação pública e gratuita, tive minhas primeiras oportunidades de trabalho, construí amizades e, sobretudo, é o lugar de referência para minha vida. Meu objetivo é escutar a comunidade e fazer um mandato participativo.

Tenho como projeto político:

  • O curso de Agroecologia para estudantes indígenas;
  • Um restaurante popular;
  • Um departamento de cultura;
  • A casa de acolhida para mulheres;
  • A implantação de creches nas aldeias;
  • Criar a cooperativa de produção, compra e venda de mandioca junto aos produtores indígenas;
  • Implementar restaurante popular como incentivo a agricultura familiar;
  • Projeto cultural: a criação do departamento de cultura, espaço de música no mercado municipal.

Por tudo isso, hoje me apresento como candidata à vereadora pelo PT.

Comente!