Por Fausto Antonio (*)

O 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, ganhará força com a presença de sempre dos movimentos negros e do antirracismo constituído por setores da esquerda, CUT e MST. É fato positivo o encontro e unidade no dia 20. A luta contra o racismo deve contar, como ponto nuclear, com a organização dos negros(as) e também dos trabalhadores (as). Não é, a luta contra o racismo, um problema apenas para negros(as) e sim tarefa para o conjunto da classe trabalhadora. Na mesma linha, a defesa do PT e de Lula deve ser objetivo, considerando o golpe dirigido diretamente pelo imperialismo e burguesia branca racista brasileira, da esquerda brasileira, o que inclui setores expressivos dos movimentos negros.

Apesar de erros táticos e de acordos com setores da burguesia brasileira, PT e Lula não são partes da burguesia brasileira. A rigor, e comprova nossa tese, em consonância com o golpe de 2016, PT e Lula são indigestos para a burguesia brasileira e imperialismo.

Na conjuntura atual, a aceleração política, delimitada pelo golpe, possibilita um quadro histórico que aproxima, num mesmo campo, o antirracismo, a luta contra o racismo, com a luta para mudar a correlação de forças, que   se estabelece, notadamente com a Frente Ampla, para impedir ou minar o projeto eleitoral do PT e notadamente de Lula.

Não é apenas um impedimento eleitoral; há uma política para minar a produção de uma política de longa duração e à esquerda.  Existe uma predisposição, perversamente articulada pela Frente Ampla, de acomodação ao golpe e ao regime.

Na conjuntura atual, a luta contra o racismo é, a exemplo da defesa do PT e Lula, central para derrotar o quadro golpista iniciado em 2016. O racismo está, como retrato dinâmico dos privilégios para brancos (as) historicamente instituídos no Brasil, na base do golpe de 2016. Em outros termos, a estrutura racista da sociedade brasileira se materializou, a partir e com as instituições dirigidas pela burguesia branca brasileira, no processo golpista.  É uma redundância negritar que o golpe em desenvolvimento é branco.

O racismo, relevando a cor da classe, é estrutural e estruturante do capitalismo, da burguesia e direita brasileiras. A luta contra o racismo é, tendo em conta a sua perspectiva totalitária no Brasil, a luta contra os privilégios naturalizados (e fossilizados) em todos os espaços de poder, em território nacional, para brancos (as).  Sendo assim constituído os privilégios para brancos (as), a luta de negros (as), dos trabalhadores (as) deve ser antirracista, anticapitalista e anti-imperialista.

Os movimentos negros e o campo antirracismo só terão sucesso, não se trata de mero discurso, na unidade assim estabelecida, convulsionada e impulsionada pelas ruas e/ou por um movimento de massas e radical. Por  igual correspondência no que  concerne à radicalidade, os movimentos negros  e o campo antirracismo, que engloba  a CUT, MST  e  esquerda contrária à  Frente Ampla sem PT e Lula, devem enunciar um eixo, para o ato de 20  de novembro de 2021, que  materialize avanços contra o racismo e, ao mesmo tempo, articule um movimento tático para a disputa eleitoral de 2022 e deixe igualmente assentados os pontos centrais para a  eleição de Lula, o governo e  as mudanças estruturais, que devem expressar um programa vindo  das camadas populares,  trabalhadoras  e amplamente discutido, sem escamotear o racismo e a cor da classe.

Do ponto de vista da luta contra o racismo e o golpe, o ato de 20 de novembro de 2021 cumprirá a tarefa, indispensável no momento, para alterar, no chão da sociedade brasileira, a correlação de forças com vista ao eleitoral e especialmente no que toca à derrota dos golpistas, da Frente Ampla e dos interesses da burguesia brasileira e imperialismo.

É útil destacar que a encruzilhada histórica, especialmente pós golpe de 2016, colocou no mesmo processo de luta, empiricamente, negros(as), o antirracismo, o PT e Lula; confluência indigesta para a burguesia e imperialismo brancos. O golpe em marcha, como projeto e projeção da branquitude – especialmente constituída pela parelha burguesia branca e parte da classe média branca e branqueada – é fato notadamente histórico e fácil de ser comprovado pela composição quase que exclusivamente branca dos manifestantes nos atos golpistas contra Dilma.  Na contramão, os atos em defesa do governo petista e Lula sempre contaram, a despeito de a luta contra o racismo não ser pautada, com substantiva presença da negrada.

Considerando o exposto, o eixo para o ato do dia Nacional da Consciência Negra, o 20 de Novembro. Deve negritar a luta contra o racismo, a violência policial, o Fora Bolsonaro e Lula presidente.

(*) Fausto Antonio  é escritor, poeta, dramaturgo e professor da Unilab – Bahia

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