Por Hílton Faria da Silva (*)

A pandemia cresceu no país todo e houve manifestação de repúdio contra a falta de assistência mínima à população de Manaus. Até oxigênio faltou, levando à morte de muita gente naquela cidade por outras causas, além do coronavírus. Isso é reflexo do que está acontecendo por todo Brasil.

Essas manifestações vieram tanto da esquerda, que há muito tempo luta contra o governo Bolsonaro, como também da direita tradicional (Dória, Huck, Rodrigo Maia e outros)

Muitos artistas e pessoas comuns que ainda não tinham se manifestado, agora entraram na campanha Fora Bolsonaro.

Mas nem todas as contradições do desgoverno Bolsonaro vieram à tona ainda.

Não houve uma manifestação contundente da classe trabalhadora, que é prejudicada pela perda de direitos que sofreu, principalmente com a reforma da previdência, mas também com outras medidas.

Os trabalhadores e trabalhadoras estão pagando o preço da crise com o desemprego mais alto de nossa história e com o rebaixamento do poder de compra dos salários. A inflação dos alimentos (14,09%) foi cerca de três vezes a inflação de 2020 (4,52% pelo IPCA).

O fim do auxílio emergencial também pode levar grande parcela da população a se posicionar contra Bolsonaro. Afinal, discurso não enche barriga, mesmo que os bolsominions continuem fazendo campanha pelo governo inimigo do povo.

Desde o início do mandato Bolsonaro, as crises econômica, social e política já eram enormes. Essas crises foram agravadas com a pandemia e a crise sanitária se somou a elas.

A economia não se recuperou, pois o desemprego aumentou e os salários não conseguem manter o nível de consumo anterior. O fechamento de empresas cresce a cada dia.

A crise social está nas ruas, pois a fome voltou e milhões de trabalhadores/as e suas famílias não sabem se vão conseguir comer, pagar aluguel ou as contas de luz, água ou o gás.

Com as denúncias de favorecimento aos filhos e as ações criminosas de aliados do governo em todos os poderes (inclusive nas polícias, forças armadas, lideranças evangélicas) e nas empresas privadas, a crise política não tem fim.

A cada dia, fica mais exposto esse bloco de poder que se uniu para destruir a nação, o meio ambiente e a classe trabalhadora.

A pandemia já levou mais de 208 mil pessoas à morte e contaminou mais de 8,5 milhões de pessoas, fora a subnotificação.

Por isso, a direção política da campanha Fora Bolsonaro está em disputa.

Quem vencerá?

A classe trabalhadora, o PT e seus aliados derrotarão o capitalismo e implantarão um novo programa que recupere os direitos trabalhistas, os investimentos públicos na educação, saúde, moradia e reforma agrária?

Ou o capital e seus comparsas (Dória, Huck, Moro etc) vencerão, destruindo nossos direitos, privatizando tudo e colocando o Brasil como colônia dos EUA e fazenda do mundo?

Existe a possibilidade de derrotarmos Bolsonaro e todo seu governo devido aos crimes que todos eles praticaram; enfraquecermos o governo, que perderia toda iniciativa política, como Temer após nossa greve geral contra a reforma da previdência; reconquistarmos os direitos políticos do Lula, o que também poderá enfraquecer ou derrubar esse governo.

Mas para qualquer resultado favorável, precisamos mobilizar a classe trabalhadora, organizarmo-nos em todas as formas possíveis e lutarmos!

Quem lutar e se organizar, irá vencer!

(*) Hílton Faria da Silva é engenheiro agrônomo, Palmas/TO


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

Este post tem um comentário

  1. Raimundo Ivan

    Os partidos de esquerda e todos que não concordam com a política de Bolsonaro deveriam estar na rua. Aí alguém diz: E a covid-19?, vai infectar todo mundo!?
    Aí eu pergunto se o clássico Fla x Flu fosse liberado ou Ceará x Fortaleza fosse liberado será que o povo ia?

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