Se tinha alguém que podíamos chamar de médico dos trabalhadores e trabalhadoras este foi o Dr. Ildemar Guedes, pois em seu consultório era o que mais a gente via. Sua dedicação ia além do tratamento dos males do corpo, todos os pacientes recebiam um tratamento humanizado e por isso ele era muito procurado e suas consultas concorridas. Quando recebemos hoje a triste notícia de seu precoce falecimento, a imagem solidária de Ildemar foi a primeira que veio à mente.

Conhecemos o companheiro Ildemar no Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, quando este mudou seu departamento médico deixando a medicina assistencialista e transformando o departamento em medicina do trabalhador e da trabalhadora. Ali, com uma equipe formada por médicos, psicólogas, terapeuta ocupacional, o departamento tornou-se uma trincheira de combate às precárias condições de trabalho nas várias indústrias metalúrgicas da região, e ali Ildemar travou lutas históricas contra o uso do amianto e do chumbo, além do combate ao desrespeito à saúde do trabalhador.

A luta pela saúde do trabalhador e da trabalhadora sempre foi sua bandeira e por isso Ildemar sempre foi odiado pelos patrões e por grandes empresas de convênios, que tratavam esses trabalhadores como uma máquina que precisava só de mais um reparo aqui ou ali para continuar a produzir.

Suas consultas eram de valor ínfimo e ele ainda ajudava seus pacientes a entender como a saúde se transformou num mercado de negócios. Nunca sentimos ou vimos Ildemar fazer da medicina um meio de enriquecimento pessoal: era visível que a medicina, para ele, era um espaço de combate à truculência do capitalismo, na exploração do sangue e do suor dos trabalhadores e trabalhadoras.

Ildemar também atuou como plantonista do Pronto-Socorro da Vila Industrial, experiência árdua que o colocou em contato com as vicissitudes da população e com as dificuldades vividas pelo setor público de saúde.

Por sua militância de esquerda, vinda dos anos 1970, ele foi um aguerrido defensor do Sistema Único de Saúde (SUS), o maior programa universal de saúde pública do mundo, fruto das grandes lutas dos anos 1980 (e que agora o governo neofascista de Bolsonaro quer privatizar). Militância essa, aliás, que o levou a abraçar o projeto socialista, primeiro no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e depois no Partido dos Trabalhadores (PT).

Por muitos anos, o companheiro Ildemar foi um ativo militante do PT de São José dos Campos. Por um breve período, foi secretário da Saúde da primeira gestão petista da Prefeitura da cidade, tendo renunciado ao cargo por discordâncias políticas.

Nesta data amarga, quem o conheceu está chocado e consternado por sua partida em decorrência da Covid-19, pandemia minimizada pelos governos e contra a qual ele lutou por semanas a fio. Mas também estamos orgulhosos de ter militado lado a lado com uma pessoa intransigente na luta contra o capitalismo, pelo bem de uma saúde pública e por uma sociedade sem desigualdades.

Deixamos aqui um forte abraço e nossa solidariedade à sua esposa Daisy Guedes e às suas filhas Daniela, Marina e Lívia.

Ildemar Guedes, presente!

Maurílio Oliveira
Jecerli Carvalho
Pedro Pomar
Ana Paula Hermanson
Ana Lucia Lobo
Armando Pereira
Nilza Maria Ribeiro
Luiz Alberto Ribeiro
Cleo Ibelli Coelho Netto
Marcos Meirelles

 

 

 

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