Por Valter Pomar (*)

Pouco depois das 14h30 do dia 9 de abril, teve início a segunda parte da reunião do Diretório Nacional do PT. Conforme combinado ainda na parte da manhã, a reunião começou com 10 falas de 6 minutos cada, feitas por aqueles que haviam apresentado projetos de resolução. Falaram:

1. o companheiro Penildo, apresentando o texto do tendência Movimento PT (MPT);

2. o companheiro Soriano, apresentando o texto da tendência Democracia Socialista (DS);

3. a companheira Lucinha, apresentando o texto da tendência Esquerda Popular Socialista (EPS);

4. o companheiro Quaquá, apresentando o texto da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB);

5. a companheira Maria do Rosário, apresentando o texto da tendência Avante;

6. o companheiro Sokol, apresentando o texto do Diálogo e Ação Petista (o DAP não é exatamente uma tendência, mas dele participa a tendência O Trabalho);

7. a companheira Edjane, apresentando o texto da Repensar o PT (nome da chapa que disputou o PED de 2019, por iniciativa de uma tendência intitulada Articulação, da qual faz parte o companheiro Jacy Afonso, presidente do PT DF);

8. eu mesmo, Valter Pomar, apresentei o texto da tendência Articulação de Esquerda (AE);

9. o companheiro Tiago apresentou o texto do agrupamento PT de Todas as lutas (os integrantes deste agrupamento faziam parte, até há pouco, da tendência EPS; hoje estão articulados no PT de todas as lutas, que assim como o DAP não é propriamente uma tendência);

10. o companheiro Paulo Teixeira apresentou o texto da Secretaria Geral.

Sobre o texto da Secretaria Geral, cabe uma explicação. Quando o DN do PT tomou posse, o companheiro Rui Falcão propôs que a Secretaria Geral se encarregasse de apresentar projetos de resolução, para serem debatidos e votados nas reuniões. Vale dizer que estes projetos de resolução da Geral deveriam ser divulgados com antecedência e que deveriam expressar a posição, pelo menos aproximada, da Executiva Nacional (ou seja, não deveriam expressar a opinião pessoal do secretário geral, nem deveriam ser um disfarce institucional do texto da tendência a qual pertence o secretário geral). Pois muito bem: o texto apresentado pelo Paulo Teixeira na reunião de 9 de abril, apesar de assinado pela secretaria geral, foi divulgado no dia 9 de abril, mais exatamente na hora do almoço. E, como se pode constatar na leitura do texto, expressava apenas as posições da tendência Resistência Socialista.

Outra observação, preliminar: além dos 10 textos acima listados, também foram apresentados, ao DN, outros textos e projetos de resolução. É o caso de um texto da Luna Zaratini, do Novo Rumo, que não foi defendido. É o caso de uma proposta assinada por Sonia Braga, da secretaria nacional de Organização, versando sobre o processo de escolha das candidaturas do PT a prefeito e vereador para as eleições de 2020; assim como de um substitutivo a esta proposta, apresentado pela AE. É o caso, por fim, de dois pequenos (em tamanho) textos: um divulgado pelo Quaquá e outro por Rui Falcão, anunciados como possíveis emendas ao texto que fosse vitorioso na votação da resolução sobre conjuntura. O texto de Quaquá era assinado pela CNB e pelo MPT, e depois seria também subscrito pelo grupo “Nas redes e nas ruas”. O texto de Rui era subscrito por dirigentes e parlamentares federais vinculados ou aliados às tendências AE, Avante, DS, EPS, Militância Socialista e Todas as Lutas.

Todos os textos citados estão disponíveis no endereço www.pagina13.org.br

A fala que fiz em defesa do texto da Articulação de Esquerda foi gravada e será divulgada no Episódio 55 do poadcast EM TEMPOS DE GUERRA, A ESPERANÇA É VERMELHA. Para quem não gosta de ouvir áudio, segue o roteiro da referida fala.

*

  • Boa tarde, companheiras e companheiros
  • Em defesa da vida, fora bolsonaro e mourão, eleições presidenciais já
  • Concordamos que nossa prioridade imediata é enfrentar a pandemia.
  • A discussão aqui é como ser consequente nesta prioridade.
  • As análises e as medidas defendidas pelo pt enfrentam a sabotagem e a oposição, total ou parcial:
  • -do presidente bolsonaro
  • -do governo bolsonaro
  • -da coalizão governista ultraliberal
  • -dos grandes empresários, especialmente do capital financeiro
  • Entretanto, a gravidade da crise é tamanha, que há setores de direita que apoiaram bolsonaro, que hoje o consideram como uma peça defeituosa, que pode colocar em risco a aplicação do programa ultraliberal
  • Que soluções que esses setores  de direita apresentam?
  • -tutela
  • -parlamentarismo informal
  • -governo unidade nacional em torno de mourão (depois de um eventual afastamento do cavernícola por razões saúde, infração penal, crime de responsabilidade, renúncia ou golpe)
  • Os setores de direita que se opõem a bolsonaro enfrentam dois problemas
  • -força de bolsonaro, militante e armada
  • -medo da esquerda voltar ao governo nacional (do medo da esquerda surgem também propostas de adiamento das eleições 2020 e a tentativa de cassação da legenda)
  • Por isto o que prevalece é a tendência de acordo entre eles
  • Por isso, se quisermos alguma mudança real, tem que ter mobilização política da esquerda e dos setores populares
  • -não apenas para derrotar as políticas de bolsonaro, mas por fim ao seu governo
  • -não apenas por fim em 2022, mas o mais rápido que for possível, de preferência já
  • É para isso que surgiram entre nós propostas como:
  • -a renúncia, mas isso depende dele e resultaria em mourão
  • -o impeachment – e ele já cometeu inúmeros crimes de responsabilidade e se for a voto, devemos votar a favor, mas o impeachment depende de rodrigo maia e da maioria conservadora e também resultaria em mourão
  • -a alternativa institucional mais próxima do que defendemos é a cassação da chapa, com base na impugnação que está parada no tse desde 2018 e apoiada pelas provas levantadas pela cpi das fake news
  • -a cassação resultaria em novas eleições presidenciais em 90 dias, como prevê o artigo 81 da constituição
  • Mas qualquer que seja a forma, o importante é o pt se somar ao movimento nacional que luta pelo fora bolsonaro
  • Simultaneamente, continuaremos lutando pela anulação da condenação de lula e a recuperação dos direitos de lula
  • E articulando isso com a ação das frentes, com nossa campanha nas eleições de 2020 e com a luta em defesa da vida
  • Quaquá disse aqui que o povo brasileiro não quer ver a gente centrado na briga política, que o povo nos quer ver lutando em defesa do povo, do emprego, do salário
  • O “povo” é como minas gerais, são muitos
  • A cut, as frentes, as janelas dizem fora bolsonaro
  • Seja como for, eu não tenho dúvida nenhuma que somos um partido político. E um partido político precisa apontar ao povo uma saída política
  • E a situação é emergencial
  • Aqui foi falado em colapso, tragédia, nas próximas semanas
  • Foi dito que bolsonaro quer o caos
  • E quando o caos vier, a extrema direita já tem resposta
  • Se não quisermos que seja tarde demais, é preciso se mexer já
  • Em defesa da vida, fora bolsonaro
  • Espero que consigamos aprovar isto aqui

*

Em seguida às 10 falas, falaram cerca de 20 companheiros e companheiras. Mas isso é assunto para a próxima seção deste texto.

(*) Valter Pomar é integrante do Diretório Nacional do PT e professor da UFABC

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Leia também:

Parte 1: DN/PT – Uma reunião exemplar https://www.pagina13.org.br/diretorio-nacional-do-pt-uma-reuniao-exemplar/

Parte 3 (final): DN/PT – A sessão da tarde, continuação! https://www.pagina13.org.br/diretorio-nacional-parte-03-e-ultima-a-sessao-da-tarde-continuacao/

 

Este post tem um comentário

  1. MAETH Boff

    Tem algo errado nessa maneira do PT encarar a problemática atual. A melhor conclusão a que se chega é que é preciso um levante popular. Mas não passa daí.
    Parece-me que o PT já não tem força para mover o povão. É não tem força porque não é mais povo. Afora o MST ninguém no PT está inserido em uma luta popular. A maioria dos quadros ascendeu, e esqueceu.
    É triste mas é isto o que sobrou dos 14 anos de estímulo ao consumismo que o PT promoveu. Quando acabar me chamem.

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