Por Rudson Pinheiro Soares (*)

Em 1995 eu era dirigente do Grêmio Estudantil da ETFRN e ajudei a organizar uma passeata saindo da Escola e indo até à Assembleia Legislativa do RN, em apoio ao Projeto de Lei de Meias-passagens Intermunicipais, de autoria da então deputada estadual Fátima Bezerra (PT).

Quando a multidão de jovens subiu a Av. Rio Branco, avistei alguém numa moto tentando ajudar a garotada, nos dar segurança, nos guiar.

Era Olavo Ataíde, excepcional quadro político – eu saberia depois – mas – percebi ali e confirmei em várias outras oportunidades – essencialmente um militante, com disposição para varar dias e noites em atividades políticas. Acho que aquela foi a primeira vez que o vi.

Olavo morreu nesta segunda (18), vítima de parada cardíaca, aos 59 anos.

Discrição e humildade eram duas de suas inúmeras qualidades. Entre outras características, era também um conciliador, com posições firmes à esquerda. Dos quadros do PT/RN, era seguramente o que mais pensava a política em perspectiva, fosse pelo retrovisor, fosse mirando o horizonte.

Discordar de Olavo significava fazer muita força para não sucumbir à sedução de seus inteligentes argumentos, à sua afetuosidade e ao seu bom humor, outras características intrínsecas à sua existência.

Seu pensamento e sua ação caminhavam sempre no sentido de manter o PT forte e pela esquerda, ligado às forças populares. Nem sempre conseguia, mas não desistia. Não desistiu.

Não fomos da mesma geração, nunca atuamos no mesmo grupo político e, nos últimos 20 anos, entre idas e vindas, morei 10 anos em outras unidades da federação, estando desde 2016 fora do estado, ou seja, não tive convivências mais cotidianas com Olavo, não tive o privilégio de privar de sua amizade em níveis que outros tiveram.

Mesmo assim, não tenho dúvidas em afirmar que ele foi uma das pessoas que mais me orgulho de ter dividido uma trincheira de luta.

Não o via há mais de dois anos. Não mais o verei. Dói muito.

O time da Governadora Fátima Bezerra (PT) fica desfalcado da genialidade de seu meia-armador mais hábil, mais elegante.

Tenha o descanso dos justos, companheiro Olavo. A gente não vai te esquecer.

(*) Rudson Pinheiro Soares é jornalista

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