Covid 19, em 14 de dezembro: Cuba 137 mortos; Brasil 182 mil mortos

Por Antônio Augusto (*)

Cuba totaliza 137 mortos pela Covid-19 até a data de 14 de dezembro. Já o Brasil tem 182 mil mortos, só os casos notificados.

Pode-se e deve-se argumentar que o tamanho das populações dos dois países são muito diferentes: Cuba tem cerca de 11 milhões de habitantes, no Brasil habitam aproximadamente 212 milhões de pessoas.

Vamos à proporção, que é o que interessa.

Cuba tem uma população 19,3 vezes menor que a brasileira.

Muito bem, é só multiplicar o número de vítimas fatais em Cuba por 19,3, e teríamos o número de mortos no Brasil… se o nosso país tivesse o sistema de saúde cubano, conquista do socialismo.

Se o Brasil fosse Cuba no enfrentamento à Covid-19, teríamos 2.644 mortos. Número um “pouco diferente” dos cerca de 182 mil brasileiros mortos.

É o tamanho da diferença entre o sistema de saúde cubano e o brasileiro, entre o socialismo cubano e a catástrofe que é o capitalismo no Brasil.

A diferença entre um povo dono do seu destino e um povo entregue à sanha de cúmplices da Covid-19 como Bolsonaro e o general Pazuello, representantes do supra-sumo do negacionismo, da incompetência e do descaso com a vida dos brasileiros.

Cuba, até a mesma data, tinha 9.588 casos; e o Brasil, 6.927.145 de infectados.

Isso, claro, sem considerar os muitos casos de subnotificação em nosso país, situação inimaginável em Cuba, dada a excelência de seu sistema de saúde pública.

 

O ABSURDO DAS “FAKES-NEWS”

Um bolsonarista me enviou notícia de “O Globo”, de maio de 2020, e um vídeo de extrema-direita contra Cuba.

A notícia de “O Globo” é uma entrevista com o escritor Leonardo Padura, premiado em Cuba em 2013 pelo conjunto de sua relevante obra ficcional. Padura critica Trump e Bolsonaro como tendo comportamento absurdo diante da epidemia. Mas critica as filas em Cuba, que atrapalhariam a necessidade de distanciamento social.

“O Globo” mostra a foto de uma fila em Cuba. Fiz notar ao bolsonarista que todas as pessoas usavam máscaras na fila, ao contrário do que ocorre no Brasil. E que ele se enganava ao atribuir centralmente a Padura críticas ao combate da epidemia em Cuba quando o escritor enfatizava o oposto: o descaso de Trump e Bolsonaro diante da Covid-19.

Há filas em Cuba, mas, ao contrário do Brasil, ninguém passa fome em Cuba, nem crianças dormem nas ruas como nas cidades brasileiras.

Já o vídeo era um absurdo da central de “fakes news” da extrema-direita. Repetia incessantemente, sem nenhuma comprovação, que o problema de Cuba não é o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos (há ininterruptos 60 anos!), mas o socialismo. Afirmação sem nenhuma evidência nos fatos, mas repetida à exaustão.

Disse ao bolsonarista, “mas se o problema de Cuba é o socialismo, há uma ilha ao lado de Cuba, na qual estão dois países, República Dominicana e Haiti, por que vocês não falam das ‘maravilhas do capitalismo’ nesses países?”.

“Ou melhor, por que não apresentam o Brasil, campeão mundial da injustiça social, como resultado do que é o capitalismo?”.

 

“FAKES NEWS” SÃO REPETIDAS

MAS… NÃO DEIXAM DE SER FALSAS

A realidade é muito diversa da usina de “fakes news” neofascistas.

Em Cuba não há analfabetos, e toda a população tem, pelo menos, o nível de instrução do 2º grau completo. E, claro, é um curso secundário verdadeiro, não como aqui, em que milhões de alunos muitas vezes recebem certificados de conclusão sem nunca terem tido um professor de Física, Biologia, ou Matemática.

Ontem, um comerciário numa padaria, que sobrevive com um salário-mínimo, me disse que ele paga mais de R$ 350 por mês para receber o diploma de um curso não-presencial de Pedagogia na faculdade privada Estácio de Sá.

Imagine-se o sacrifício que faz, e o nível para lá de precário de tal curso.

Perguntei o que ele iria fazer com o diploma. Me disse que concorrer a um concurso público “na área de Pedagogia”. Perguntei “como?, se não há praticamente concursos públicos no governo Bolsonaro, menos ainda para portadores de diploma de disciplinas como Pedagogia”.

Outro bolsonarista me garantiu que “não há faculdades de Medicina em Cuba”, e “na que há, não se ensina Medicina”. Claro, foi “informado” dessas “verdades” em “sites” “jornalísticos” bolsonaristas movidos pela rede financeira a serviço da extrema-direita.

Este bolsominion foi um dos entusiastas da saída de 11 mil médicos cubanos do Programa Mais Médicos, responsabilidade direta de Bolsonaro, que deixou milhões de brasileiros pobres sem qualquer assistência médica.

Em Cuba há aproximadamente 100 faculdades de Medicina, o que permite a ilha exportar médicos para o mundo inteiro, a maior parte para atender a populações muito carentes dos países capitalistas submetidos ao imperialismo.

Cuba já está na fase final de testes de duas vacinas contra a Covid-19, Soberana 1 e Soberana 2. Do plano de vacinação de 11 vacinas aplicadas ao conjunto da população cubana, 9 são fabricadas em Cuba, diversas exportadas, como a vacina contra a meningite.

A biotecnologia da ilha está pelo menos em nível semelhante ao que há de mais avançado no exterior. Inclusive com pesquisas originais e de ponta.

Há também entre Cuba e os países capitalistas uma diferença a ressaltar, a cada dia mais importante no mundo de hoje: na ilha socialista, território livre na América, não existem “fake news”.

(*) Antônio Augusto é jornalista


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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