Por Marcos Aurélio da Silva (*)

Ciro Gomes desferiu novos ataques ao PT. Se temos em conta que o PT é o principal e ainda o maior instrumento de luta criado pela classe trabalhadora brasileira, este ataque — como todos os outros — de Ciro ao PT é um ataque de classe. E demonstra bem o que pretende a burguesia brasileira. Calada diante da guinada à extrema direita da política nacional, ela agora deseja lançar suas apostas em um nacionalismo populista de outra extirpe, menos obscurantista, mas ainda assim populista, decididamente antimarxista e a toda prova antípoda da classe trabalhadora.

Não é por menos que justamente no PDT esteja organizado um grupo neonacionalista antimarxista — e de caserna — guiado pelas ideias de Aleksandr Dugin. Uma via bonapartista, eis o que deseja a burguesia brasileira, ela que já deu inúmeros exemplos de que não está disposta a conviver com o radicalismo democrático das classes populares e trabalhadoras.

Quem pensa que por aqui se pode encontrar uma burguesia nacional – um conceito que não é geográfico, mas político, ligado à adesão ou não a um projeto popular –, e que assim uma etapa democrático-burguesa deve ser cumprida no Brasil, que tire o cavalo da chuva. Ou as classes trabalhadoras, pondo-se em alerta contra o tipo de liderança bonapartista que representa Ciro Gomes, conduzem elas mesmas a mudança social, ou tudo continuará a se arrastar com pesados fardos sobre suas costas.

(*) Marcos Aurélio da Silva é prof. no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (CFH/UFSC).


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

Comente!