Página 13 divulga Carta de professores de São Paulo acerca das eleições do ANDES.

 

Carta de São Paulo em apoio à Chapa 2 Renova ANDES

Nós, professoras e professores que subscrevemos esta carta, declaramos nosso apoio e voto à Chapa 2 Renova ANDES nas eleições do nosso Sindicato Nacional que ocorrerão entre 3 e 6 de novembro de 2020.

As instituições públicas de ensino superior em São Paulo, assim como no resto do país, correm enorme risco. Depois de um período de expansão de vagas e recursos, relativa democratização do acesso e fortalecimento dos programas de pesquisa, ensino e extensão, vivemos, há alguns anos, uma profunda crise.

Os cortes de recurso se intensificam e vão muito além de ajustes pontuais, expressando uma política em que a educação superior pública e a produção de ciência não são prioridade. Os bem-sucedidos programas de democratização do acesso, em particular por meio de cotas sociais e raciais, são atacados materialmente, por meio da restrição de programas de assistência estudantil, e simbolicamente, por uma visão de o ensino superior deve ser para uma pequena elite. As agências públicas de fomento, em especial a CAPES, o CNPq, a FINEP e a FAPESP, também estão na mira dos que não consideram a ciência e a tecnologia nacional uma prioridade. O sistema nacional de pós-graduação, depois de se expandir de modo consistente por vários anos, também vive uma crise de subfinanciamento, bem como mudanças temerárias nos seus padrões de avaliação e distribuição de recursos. Os ataques ideológicos à ciência e à cultura autônomas assumem diferentes faces, e as intervenções arbitrárias nas IES se multiplicam.

Em meio a tudo isso, nossas carreiras se fragilizam. A escassez de concursos começa a gerar sobrecarga de trabalho. Nossos salários de desvalorizam no mesmo compasso em que somos simbolicamente atacados. Nossas condições de trabalho se deterioram, assim como o financiamento à pesquisa e à extensão. A reforma administrativa, no âmbito federal, e o PL 529, no nosso estado, tendem a aprofundar este quadro. Mais do que uma pauta corporativa, é da própria condição de produzir conhecimento e formar estudantes e cidadãos que estamos falando. Sem uma carreira sólida, não existe um sistema acadêmico-científico consolidado.

A pandemia de COVID-19, embora tenha aberto uma oportunidade de defender o papel social do conhecimento científico e das instituições públicas de ensino, pesquisa e extensão, também gerou contradições que devem contribuir para agravar esta crise.

Nesse contexto, precisamos mais do que nunca de um movimento docente à altura dos desafios colocados. Um movimento docente capaz de somar esforços com todas e todos que lutam para derrotar o retrocesso que, encarnado pelo governo Bolsonaro e seus aliados nos estados, representa uma enorme ameaça para a educação e o conhecimento, o meio ambiente e futuro do país. E o ANDES, pelo seu caráter nacional, é um instrumento fundamental para isso. Infelizmente, nos últimos anos, ele não tem conseguido cumprir um papel central nessa conjuntura de ataques.

Exemplo crítico disso é a Regional São Paulo do ANDES-SN, que deveria articular a luta das IES do nosso estado que, apesar de ter o sistema científico e de ensino superior mais forte do país, vive uma crise sem precedentes. De fato, os cortes de financiamento das IES do estado, a CPI das universidades estaduais, o já citado PL 529, as tentativas de ataque ao orçamento da FAPESP são alguns dos processos que deveriam ter sido enfrentados de maneira muito mais articulada pelo movimento docente paulista. Infelizmente, a Regional São Paulo do ANDES-SN tem tido pouca presença nas nossas principais mobilizações e nenhum protagonismo na defesa da educação e da pesquisa paulistas. A Regional pode e deve ter um papel central na organização das Associações Docentes no estado de São Paulo, principalmente na conexão entre as universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) e as universidades federais do estado (UFSCar, UFABC e Unifesp), envolvendo também unidades do ANDES como a Faculdade de Medicina de Marília. Juntas, essas instituições podem reagir com mais força e é papel do ANDES liderar essa articulação, o que não tem sido feito.

É importante frisar que na atual direção do ANDES, bem como na direção das Associações Docentes mais afinadas com ela, existe muita gente séria e bem-intencionada. Não criticamos as pessoas, mas a orientação geral da atual direção do nosso Sindicato. Nesse sentido, a concepção política que prevaleceu, de que o ANDES deve representar, acima de tudo, os professores e professoras que têm afinidade política com a sua direção, em particular, com seus princípios históricos inegociáveis do que deve ser o ensino superior público, contribuiu para enfraquecer o sindicato junto à ampla e diversa categoria docente. O resultado é um ANDES-SN isolado, enfraquecido, com baixa representatividade e legitimidade.

É por tudo isso que a Chapa 2 Renova ANDES, ao defender “um sindicato para todas e todos os docentes” e “renovado” nos representa. Acreditamos que a conjuntura obriga o movimento docente a se reiventar. Isso significa se abrir para novas práticas, menos burocratizadas e mais dinâmicas. Incorporar novas pautas, mais aderentes ao novo ensino superior brasileiro, mais feminino, mais negro e mais democrático. Encarar todos os debates postos, a começar pelo ensino remoto emergencial, sem tabus e sem preconceitos. Se qualificar com dados, argumentos e informações atualizadas para enfrentar a guerra ideológica contra a ciência e a educação públicas.

É por acreditar que a Chapa 2 Renova ANDES é capaz de encarar esses desafios, pela experiência que já demonstrou em renovar o movimento docente em Associações em São Paulo e no resto do país, que assinamos esta carta pedindo a todas e todas os colegas de instituições públicas de ensino superior de São Paulo que votem, apoiem e defendam a Chapa 2 Renova ANDES-SN.

O ANDES-SN precisa mudar e precisa mudar já!

Site: http://renovaandes.org/
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Instagram: @renovaandes
Twitter: @RenovaAndes

Assinam:

Agnaldo dos Santos – professor da UNESP campus Marília
Alberto Handfas – professor da UNIFESP
Edson Santos – Professor do Cotuca UNICAMP
Everaldo Andrade – professor da USP e candidato a primeiro secretário da regional São Paulo pela Chapa 2 Renova ANDES
Jean Pierre Chauvin – professor da ECA/USP
Kimi Tomizaki – professora da Faculdade de Educação da USP e candidata a segunda vice-presidente da regional São Paulo Chapa 2 Renova ANDES
Marcelo Giordan Santos – professor da Faculdade de Educação da USP
Maria Caramez Carlotto – professora da UFABC e candidata a terceira vice-presidente na Chapa 2 Renova ANDES
Valter Pomar – professor da UFABC e candidato a primeiro tesoureiro da regional São Paulo pela Chapa 2 Renova ANDESA

Formulário para novas assinaturas: https://bit.ly/33EYuva

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