Por Antônio Augusto (*)

Faleceu nossa querida camarada Maria Augusta Capistrano após um vida de muitas lutas em defesa do povo brasileiro.

Ela era viúva de um verdadeiro herói do nosso povo, o dirigente comunista David Capistrano da Costa (1913-1974).

Ele foi o principal dirigente do PCB em Pernambuco, num período muito importante da vida do país. Um dos maiores lutadores da Frente Popular que levou a vitórias de Pelópidas da Silveira à prefeitura do Recife, e Miguel Arraes ao governo de Pernambuco.

Membro do Comitê Central do PCB, o cearense David Capistrano tornou-se um desaparecido político em 1974. Hoje se sabe, foi assassinado de maneira cruel na Casa da Morte, em Petrópolis, um dos centros de extermínio de democratas, criado pelos terroristas do DOI-Codi, a central de torturas, assassinatos e crimes contra a Humanidade tornados “política de Estado”, prática usual da ditadura militar.

David foi deputado estadual em Pernambuco, no curto período de legalidade do PCB, em 1945-1947, após o fim da ditadura do Estado Novo.

Não foi herói só do povo brasileiro, mas igualmente do povo espanhol, com atuação heroica na importante Batalha do Ebro, ao lado da República contra os fascistas na Guerra Civil espanhola. Foi um dos voluntários dos cerca de duas dezenas de antifascistas brasileiros a lutar de armas na mão junto ao povo espanhol, um brigadista internacional.

E também foi heroi do povo francês, lutou na Resistência Francesa contra os nazistas.

Maria Augusta, ela própria uma militante comunista, era mãe de David Capistrano da Costa Filho (1948-2000), valente e lúcido militante político desde a mais tenra juventude, Davizinho, como era conhecido, chegou a ser preso, quando estudante de Medicina, no Rio de Janeiro, em 1972, por, vejam só, estar empenhado com outros estudantes em discutir a Semana de Arte Moderna no ano do seu cinquentenário. Assim eram as trevas da ditadura militar que infelicitou nosso país durante tanto tempo.

Foi posteriormente o principal dirigente do PCB, em São Paulo, já nos anos 80. Médico, foi um dos idealizadores do SUS. Integrou-se ao PT, sendo eleito prefeito de Santos, com uma atuação que fez história na prefeitura. Quando morreu, o cortejo em Santos comoveu toda a cidade. Em Santos, cidade que durante muito tempo teve o título de porto e cidade vermelha, onde a força dos comunistas era visível durante um longo período. Santos que recuperará suas mais caras e melhores tradições políticas.

A paraibana Maria Augusta sempre esteve na linha de frente da luta das famílias de presos e desaparecidos políticos. Sua combatividade foi uma constante em toda sua longa vida.

Camarada Maria Augusta Capistrano, presente!

(*) Antônio Augusto é jornalista

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