Por Saul Armacanqui Morales (Peru) | Tradução de Tânia Mandarino

Delegação de acompanhantes internacionais, entre eles, Saul Armacanqui Morales (6° da direita para a esquerda), das eleições de 21 de novembro de 2021 na Venezuela

Este 2022 encontra-nos imersos nos grandes desafios enfrentados hoje pela humanidade, que terão um impacto decisivo no destino do nosso país, marcado pelo apertado nó de antigas ataduras de caráter global.

Considerando isso, então atentemo-nos fundamentalmente para o seguinte:

1-A luta global contra a pandemia que no seu terceiro ano se renova, nos chicoteia com variantes desconhecidas, algumas mais letais que outras talvez; e com uma revisão incerta sobre a eficácia das vacinas já existentes.

2-A luta pela retomada da economia com o objetivo de atingir níveis pré-pandêmicos, segue ancorada no padrão de acumulação numa escala planetária cuja natureza transnacional, monopolística e financeira, favorece como sempre os atrelados ao capital, enquanto as perdas serão novamente socializadas entre o povo trabalhador.

Trata-se de um desdobramento liberal das políticas internas, que mitiga os surtos inflacionários, os problemas recorrentes na cadeia de abastecimento, as ações pertinentes das indústrias extrativas e poluidoras, o superendividamento público, a corrupção e a lavagem de dinheiro.

3-O pulso da “nova guerra fria” desencadeada entre os EUA e a RPCH não parou em nenhum momento; ao contrário, aumentou o ritmo de seus desacordos e a dureza no tom das suas declarações, exceto na declaração comum contra as alterações climáticas. As potências de segunda ordem da UE e da Rússia, principalmente, na prática, têm subordinado suas tensões ao confronto principal.

4- Emergem e se renovam as forças polarizadoras no cenário político internacional; de um lado, as retrógradas, fratricidas e canibais de inspiração fascista, de outro, forças populares, de povos originários, e outras radicalizadas, de vários tipos nucleadas sob o signo do antissistema, etc.

Diante dessa situação, os Estados Unidos, com Biden no governo, pretendem frear seu declínio no concerto das nações, voltando a armar alianças na Europa, especificamente na Ásia, apoiando Taiwan, buscando confrontar a China daquele lado e assim chegar às eleições intermediárias em novembro próximo em boas condições.

A RPCh avança em seu objetivo de se tornar o epicentro da direção geopolítica universal, contemplando nesse sentido a terceira reeleição de seu presidente Xi Jinping no decorrer de seu XX congresso partidário que se realizará em outubro deste ano, o que permitiria chegar a 2027, consolidando sua política de “promoção da autossuficiência científica e tecnológica”; “a prosperidade comum” e “o desenvolvimento de alta qualidade”. Por enquanto, a América Latina se tornou seu principal parceiro comercial.

Já olha para a África com algum interesse, sua “diplomacia de vacinas” lhe permitirá doar 200 milhões de vacinas, e também seus gastos militares no ano passado aumentaram 6,8% em relação a 2020, permitindo-lhe desenvolver armas hipersônicas.

Sobre os conflitos decorrentes da presença militar no Mar da China Meridional e principalmente em Taiwan, é importante salientar que o governo da RPCh tem se posicionado de forma categórica, assim como sobre o suscitado na fronteira China-Índia, a respeito do que Xi Jinping afirmou que os EUA estão “brincando com fogo”. Enquanto isso, Pequim se prepara para sediar com sucesso as Olimpíadas de Inverno em fevereiro.

Outros aspectos que preocupam países como a Rússia dizem respeito ao acantonamento de mais de 100.000 militares em sua fronteira com a Ucrânia e cujo desenvolvimento político interno será decisivo para o desenrolar dos acontecimentos. A reivindicação expansionista da OTAN na Europa Oriental ocorrerá em uma Alemanha sem a presença de Merkel, com o Reino Unido após um ano de incertezas com o Brexit e com Macron se candidatando à reeleição na França.

Em nossa América, as eleições colombianas de maio prometem um avanço importante com Gustavo Petro; Brasil e Indo-América também aguardam a volta de Lula em outubro, o que significará uma reviravolta na correlação das forças em nosso continente.

Enfim, em nosso país nos aproximamos de uma encruzilhada na hora das definições. Nas alturas do bloco no poder, a reação e a máfia lutando para impor a repressão, a corrupção e a impunidade; e no polo oposto nós, com todas as nossas diferenças combinando nosso destino histórico como povo. Mas isso será assunto para outro texto.

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