Página 13 publica avaliação de membros da tendência petista Articulação de Esquerda (AE) sobre as articulações políticas em torno das eleições 2020 na cidade de João Monlevade.

Desde 2018, um grupo denominado Frente Ampla (FA), encabeçado por quadros do PCdoB, se organiza em torno de quadros locais do PDT com o objetivo de fomentar discussões sobre uma reorganização da oposição, inicialmente de esquerda, tendo como foco a disputa de 2020.

Inicialmente a FA foi organizada em torno da candidatura que sofreu uma derrota apertada (diferença de menos de 0,5%) no pleito de 2016. A coligação para prefeito era formada por PT, PDT, PCdoB e PHS, encabeçada pelo PDT e tendo o PT como vice para majoritário. A Chapa vitoriosa em 2016 foi uma Coligação PSDB-PMDB em torno do nome do radialista Carlos Moreira, ex-prefeito condenado e inelegível, através da figura de sua esposa, Simone Moreira.

No entanto, de forma coerente com o direcionamento do bloco nacional encabeçado por PCdoB, PDT e PSB, a FA sempre teve abertura em receber representantes das mais diversas posições políticas, em especial da centro-direita. Nos bastidores há quem diga que a FA pode contar com qualquer um que não seja do grupo dos Moreiras. O grupo chegou a procurar o Partido Novo e, segundo a imprensa local, buscou dialogar inclusive com o PSL.

Apesar de ser entendimento do grupo que a presença do PT é essencial, é nítido que a coordenação do grupo trabalha da isolar o partido e, em suas próprias palavras, “evitar o protagonismo do PT”. Trata-se de um posicionamento estratégico que tem como objetivo manter a liderança do processo e ter mais facilidade de articulação com a direita não Moreirista.

Isso ocorre quando, por exemplo, “aceita-se” o PT na Frente Ampla e num possível governo, desde que haja apoio incondicional à cabeça de chapa do PDT sem que haja aprofundamento do debate sobre pautas de campanha. O que avaliamos é que a FA precisa da capilaridade popular do PT, do trabalho da militância e dos votos do simpatizantes, apesar de sempre dizerem que o partido não possui mais força.

É necessário ressaltar que a atuação do PT na FA é cautelosa. A direção municipal tem, acertadamente, respeitado os ritos democráticos e normativas internas. Isso tem gerado um descompasso de ritmo entre o partido e a possível coligação, o que tem deixado o coordenação do grupo ainda mais avessa ao partido. O PDT, no início do ano, fez um reunião cuja pauta passava por abandonar a uma coligação com o PT e procurar alternativa junto a parte da base do atual governo do PSDB que rachou.

Nossa opinião é que, caso seja decidido aceitar um apoio incondicional à FA, o partido fica em posição extremamente arriscada localmente, correndo o risco de enfraquecer a longo prazo, independente do resultado da eleição. No caso de derrota, o partido completaria 8 anos sem apresentar um plano e liderar uma alternativa para a cidade, enfraquecendo o capital político do PT existente. Frente ao contexto nacional, é importante que 2020 seja um ano em que o PT se fortaleça e consolide seu diálogo com a base.

Acreditamos que em um eventual governo, o partido terá dificuldade de consolidar ações de nossa pauta socialista e democrática e, posteriormente, sermos responsabilizados por eventuais políticas de direita implementadas. Experiência similar ocorreu em 2008. Na ocasião, o PT saiu junto ao centro, em uma chapa encabeçada pelo PV. Apesar da vitória da chapa, o governo passou por problemas e mesmo com uma ruptura interna durante o mandato, o PT ainda é associado a uma gestão fracassada.

Sabemos que a política de alianças é um tema delicado devido, principalmente, à capacidade de financiamento eleitoral e de apoio do legislativo em uma eventual gestão. Muito embora nacionalmente o Partido ainda não tenha orientação recente publicada, nós da Articulação de Esquerda sempre defendemos que o dito “pragmatismo” do PT não deve levar em conta apenas elementos eleitorais. Lembramos que o PT é, ainda, o partido com maior número de simpatizantes e que, por este motivos, temos sido atacados tanto pela direita, que quer destruir nosso projeto político, quanto por parte da centro-esquerda que quer nos isolar e herdar o apoio da classe trabalhadora.

Para João Monlevade, sugerimos que o partido se posicione no sentido de liderar a discussão de uma frente com amplitude limitada e que seja de capaz de apresentar para a população monlevadense um projeto inclusivo de desenvolvimento econômico e social para o município. Por amplitude limitada entendemos a participação de setores da esquerda e centro esquerda locais.

Não devemos esquecer que o centro e a centro-direita foram peças fundamentais tanto no golpe contra a presidenta Dilma quanto na prisão do companheiro Lula. Além disso, estes grupos são totalmente apoiadores da agenda ultraliberal do governo Bolsonaro, que ataca diariamente a classe trabalhadora. Lembremos que, desde que o ex-presidente Lula foi solto, ele tem criticado duramente as alianças passadas e atuais do PT com o centro e a centro-direita e defendido a liderança do PT no pleito de 2020.

Por fim, nós da Articulação de Esquerda acreditamos que as forças populares são elemento fundamental na luta contra os retrocessos. Por isso, acreditamos na força da Frente Brasil Popular, das pastorais aliadas, da militância da cultura popular, do movimento negro, de mulheres e LGBTQI+, de estudantes e da classe trabalhadora. Estes devem ser os principais aliados do PT, nos governos e nas ruas.

05/02/2020

Militantes da AE João Monlevade.

Comente!