Por Egydio Schwade (*)

Quando se fala da origem do PT, quase sempre, se refere apenas o ABC. Isto não está bem correto, poque o PT foi uma construção do movimento social a nível de país. No interior da Amazônia, por exemplo, foi construído principalmente pelos sindicatos rurais e pelas comunidades eclesiais de Base. Já aqui neste município de Presidente Figueiredo foram principalmente pequenos agricultores e peões se reunindo e estudando aos domingos.

A construção coletiva, ampla e nacional, pelos movimentos sociais, diferencia o Partido dos Trabalhadores dos demais. E é isto que incomoda a direita e é a fonte do antipetismo. Em eleição realmente democrática é difícil vencer hoje o PT. A guerra para destruí-lo não atinge o âmago do partido. A direita nunca se faz presente ali. E as lideranças oportunistas internas, não prosperam por muito tempo no PT. Cedo ou tarde se afastam vendo que sua praia é outra.

O golpe contra o governo Dilma, após a 4ª. vitória do PT, visou destruir o Partido dos Trabalhadores. Foi uma reação desesperada da direita vendo chegar o fim da política de privilégios, instalada sobre esta terra pelos portugueses.

Os governos Lula e Dilma cometeram erros. Em especial, a marginalização do Movimento Popular. Foram buscar colaboradores em áreas que não desejavam as mudanças estruturais previstas no programa do Partido: agrária, econômica, indigenista… O Movimento popular criticou duramente esses desvios: a construção de hidrelétricas, alagando os territórios de populações vulneráveis; os acordos com a direita, aumentando seus privilégios; a falta de coerência e principalmente a omissão na efetivação das mudanças estruturais necessárias.

Com certeza, a direita esperava a adesão das ONGs populares ao golpe e ao seu antipetismo. Mas aconteceu o contrário. Elas surgiram com todo o vigor, defendendo o Partido dos Trabalhadores e Lula, garantindo, inclusive, frente à prisão em Curitiba, uma vigília nunca vista na história deste país.

Muitos viram uma grave derrota do PT nas eleições passadas. Não me preocupa tanto assim. Sinto que o antipetismo, purificou muito as fileiras do Partido. Uma massa de oportunistas que surgiu no partido com os sucessos eleitorais, voltou às suas origens e o Partido vai-se aproximando de novo do Movimento Popular, a sua principal, consciente e indestrutível força. O seu poder é o serviço às populações mais frágeis e subsiste com, sem, apesar ou até contra o dinheiro.

Casa da Cultura do Urubuí, 06 de dezembro de 20.

(*) Egydio Schwade é  é filósofo, teólogo, indigenista e ativista social brasileiro.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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