Por Jamille GomesIndyra Giácomo (*)

Sávio, candidato a prefeito pelo PT de Viçosa.

Iniciando a campanha na cidade interiorana de Viçosa, situada a pouco mais de 200km da capital Belo Horizonte, com uma chapa pura pleiteando a prefeitura, sete candidatos e seis candidatas pleiteando a câmara municipal, não imaginávamos que a vitória política seria possível.

Ainda que a cidade seja universitária, o contexto dos moradores é bem limitado em vários aspectos, pois Viçosa vem sendo governada pelas mesmas famílias há anos. Famílias que visam beneficiar a elite local, sobretudo no que diz respeito a construção civil. Sabendo disso, entramos nessa empreitada com uma militância diversa, jovem e engajada, e uma chapa de vereadores bastante alinhada e unida. Desde o início do ano promovíamos encontros na plataforma Zoom com o intuito de entender a dinâmica das eleições e da política local, visto que apenas dois dos quinze candidatos já haviam se candidatado uma vez há muitos anos atrás.

Com isso, saímos às ruas com mais de um ou dois vereadores para fazer campanha. Com uma agenda bem organizada e estruturada, todos os dias tínhamos atividades em comum. Sabíamos que não seria uma disputa fácil. Apesar das votações expressivas do PT na cidade em nível estadual e federal, a última candidatura majoritária do partido à prefeitura foi em 2004. Somado a isso, tínhamos um candidato favorito na disputa com perfil sedimentado no imaginário social de um cara humilde, simples e do povo. Nosso trabalho foi convencer as pessoas de que o projeto do PT é o que defende os trabalhadores e trabalhadoras. Fomos muito bem recebidos em todos os cantos da cidade e essa foi nossa principal vitória política. Constatamos uma grande rejeição ao Bolsonaro e a esperança de que o Lula volte a ser presidente do país. Apesar da derrota eleitoral na disputa à prefeitura, saímos da disputa com sentimento de dever cumprido: mostramos para as pessoas que o PT está vivo, muito vivo.

Toda essa disposição e organização resultou na eleição de dois vereadores, um deles o mais votado e a outra a quinta mais votada da cidade. Além de ter duas mulheres como suplentes. Porém, como um todo, a base de esquerda e trabalhadora será minoria na Câmara. Já a candidatura majoritária recebeu 6.071 votos ocupando o terceiro lugar no pleito. Um resultado muito bom, visto que haviam nove candidatos. Uma vitória para o fortalecimento do PT na cidade.

Entretanto, infelizmente, os novos (ou não, e já explico) a ocuparem a prefeitura são do PSD e estão juntos numa coligação com o MDB e Solidariedade. Ou seja, ganharam com mais de 8 mil votos e trazem novamente a velha política para o poder viçosense.

A candidata apoiada pelo atual prefeito (PSDB) não obteve muito êxito e ocupou o quarto lugar, com 11,78% dos votos. E, sobre a esquerda na cidade, numa breve avaliação, eu diria que na pré-campanha, onde estava acontecendo a tentativa de articulações, muitos subestimaram o PT e não cogitavam uma chapa em que fossemos a liderança. Teoricamente, haviam dois candidatos da esquerda (PT e PCdoB) e muitos criticaram por não terem se unido. Porém, após o resultado de domingo, temos certeza que apenas o Partido dos Trabalhadores é capaz de trazer a renovação para a cidade no futuro.

(*) Jamille Gomes é vereadora recém eleita em Viçosa 

(*) Indyra Giácomo é Secretária de Organização do PT Viçosa


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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