Por Marcos Jakoby (*)

             Lula fala ao Brasil: entrevista coletiva. Foto: Ricardo Stuckert

A anulação das condenações do presidente Lula e a restituição de seus direitos políticos tem gerado uma ampla repercussão no cenário político nacional, e mesmo internacional, podendo representar uma inflexão na situação atual, ajudando a criar as condições para que a classe trabalhadora e os setores populares aumentem a sua resistência e saiam da defensiva. Não é outra a razão senão essa que modificou o estado de ânimo de boa parte da esquerda e de sua base social nessa semana, ou seja, a perspectiva de que podemos derrotar o ultraliberalismo e o neofascismo.

Agora é bom lembrarmos, até pouco tempo havia dirigentes petistas, inclusive governadores, que queriam que Lula saísse de cena. Depois da derrota sofrida pela esquerda nas eleições de 2020, havia quem dissesse que “Lula, por ser a principal figura da sigla, tem relação direta com o resultado e, por isso, deveria sair de cena”. Um membro do diretório nacional vaticinou que “Lula já deu muito para o partido. É hora de abrir espaço.” Ou seja, deixava-se de analisar a linha política e a situação que nos levou à derrota para reduzir-se tudo a uma questão de renovação de quadros.

Antes das eleições, muitos questionavam a centralidade da luta pelo #LulaLivre. Criticavam a articulação das demais lutas populares com a luta pela liberdade de Lula, achavam que isso “atrapalhava” a esquerda, que reduziria a nossa capacidade de ampliar e que por isso deveria ser secundarizada. Um importante governador do PT, em entrevista à revista Veja em setembro de 2019, período em que Lula ainda estava preso, dizia que o diálogo e as alianças com outras forças políticas, visando as eleições do ano seguinte, não deveriam se pautar pela luta da liberdade de Lula.

Para outros tantos, a luta pelo #LulaLivre e #AnulaSTF sempre foi um elemento central na linha política. Derrotar o golpe implica na luta pela liberdade plena de Lula, demonstrando a farsa da operação que foi crucial ao golpismo e a sua narrativa.

Infelizmente, muitos perdem de vista as questões de fundo da luta de classes, e movidos por uma tática eleitoralista, imediatista e de conciliação, deixam de travar batalhas estratégicas, que exigem acumular forças em muitas frentes e, às vezes, por longo período, por mais árduas que sejam.

Evidentemente, que a restituição por ora dos direitos políticos de Lula também é resultado dos conflitos existentes entre as elites e no interior do sistema judiciário, mas certamente a luta democrática travada nos últimos anos pelos setores populares e pela esquerda foi fundamental para esse desfecho.

(*) Marcos Jakoby é professor e militante petista


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

 

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