Por Valter Pomar (*)

Corre que alguns parlamentares petistas queriam votar em Rodrigo Maia e também em Alcolumbre, para que continuassem presidindo a Câmara e o Senado, respectivamente.

Não ouvi deles os motivos, mas seja como for fomos salvos do vexame pelo STF, que desta vez lembrou que a Constituição existe.

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, segue existindo quem se disponha a votar nas candidaturas que estão sendo articuladas pelos atuais presidentes, que como todos sabem são pessoas orientadas pelos mais profundos valores.

Quais valores, cada um preencha como quiser.

E, claro, segue existindo também quem deseja votar em Arthur Lira (PP de Alagoas) para a presidência da Câmara dos Deputados.

Os argumentos são vários, entre os quais o de que não haveria diferenças efetivas entre as diferentes candidaturas da direita, logo poderíamos votar em qualquer uma delas, a depender das promessas que nos façam.

Quanto ao valor das supostas promessas da bancada parlamentar de direita, lembrai-vos do Fundeb, para não falar de outras muitas coisas.

E quanto a não haver diferenças efetivas entre as diferentes candidaturas de direita, concordo.

Mas, convenhamos, quem vota em um candidato que é ultraliberal, ainda pode contar alguma coisa em casa, mesmo que seja auto-engano, pois não há candidatura de direita que mereça nosso apoio.

Mas quem vota na candidatura apoiada de fato por Bolsonaro, vai explicar como? Que depois de defender que “petista não vota em golpista”, resolveu experimentar o contrário, para mudar de look?

Ou será que a explicação será a mesma que surgiu no debate sobre Belford Roxo, quando o Diretório Nacional do PT deliberou, por maioria de votos, apoiar a candidatura a prefeito de um bolsonarista?

Para quem não lembra, naquela ocasião, a explicação foi quaquaista: o indigitado não é bolsonarista, é malandro.

Fica aqui a pergunta: Arthur Lira também seria “malandro”?

E agora vai o pedido: nos poupem desta vergonha.

Espero que a bancada do PT apoie e vote em uma candidatura realmente oposicionista, de esquerda, de preferência petista.

Uma candidatura que tenha um compromisso central: começar a tramitação do impeachment do cavernícola.

(*) Valter Pomar é professor e membro do Diretório Nacional do PT

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