Fernando Haddad e Jair Bolsonaro

Bruno Elias*

Para derrotarmos a extrema direita nestas eleições, a mobilização em torno das pautas econômicas e sociais será decisiva.

A vida do povo trabalhador e a situação do país pioraram muito com o golpe. As mulheres trabalhadoras têm sido particularmente atingidas pelos retrocessos do último período. Mais desemprego, pobreza e violência. Menos direitos, liberdades e soberania.

Daí a importância que Haddad tem dado para a revogação do congelamento dos gastos sociais, da reforma trabalhista e de outros retrocessos. E também da necessidade de realizarmos uma reforma tributária justa, cobrando mais do andar de cima e permitindo a retomada dos investimentos e das políticas sociais que a turma do Temer e do Bolsonaro tentam destruir, como o SUS, a previdência pública, a assistência social, o Bolsa Família, o “Minha Casa, Minha Vida”, entre outros.

Haddad também tem destacado a urgência de uma reforma bancária. O cartel dos bancos têm prejudicado a economia brasileira, agravando o endividamento das famílias e a concentração de riqueza nas mãos de muito poucos.

Essas mudanças econômicas e sociais que Haddad têm defendido estão diretamente ligadas aos nossos compromissos com as liberdades democráticas que têm sido ameaçadas pela extrema direita. Quem mais sofre com o autoritarismo e a violência é o povo trabalhador.
Para tanto, precisaremos desconstruir o programa do Bolsonaro/Paulo Guedes, a exemplo do que foi feito nas últimas eleições presidenciais em que a direita foi derrotada.

No segundo turno de 2006, Lula ampliou sua campanha ao tachar Alckmin e o PSDB como aqueles cuja qualidade era “só privatizar, privatizar e privatizar”. Pressionado por essa linha política, o picolé de chuchu se viu obrigado a se vestir com adesivos de estatais para tentar apagar a pecha de privatista e terminou com menos votos no segundo turno do que obteve no primeiro.

Em 2010, além do bom momento econômico e das conquistas sociais do segundo governo Lula, Dilma se elegeu (“Para o Brasil seguir mudando”) polarizando contra o Serra na questão da soberania nacional e dos direitos sociais. No contexto das denúncias da “Privataria Tucana” e da disputa em torno do modelo de exploração do Pre-Sal, soubemos denunciar junto à população a proposta de Serra para a privatização do nosso “passaporte para o futuro” e os derrotamos uma vez mais.

Na reeleição de Dilma, em 2014, não foi diferente. O embate contra os programas de Marina e de Aécio se deu com muito debate e mobilização popular. A proposta de Marina de dar autonomia ao Banco Central, por exemplo, foi ilustrada na propaganda eleitoral de TV como uma ameaça para a comida na mesa das famílias. No 2º turno, as propostas de “modernização trabalhista” de Aécio também seriam desmascaradas por uma campanha em defesa dos direitos dos trabalhadores.

Infelizmente, depois da reeleição de Dilma, os movimentos populares seriam obrigados a combinar a luta contra o golpe com a luta pela mudança da política econômica e em defesa do programa vitorioso das urnas. Aliás, o Plano Levy é muito mais merecedor de uma autocrítica do PT pela esquerda do que as capitulações cobradas em 2018 pela mídia empresarial.

Com os retrocessos do golpe e diante das propostas atuais de Bolsonaro, que anunciam de maneira muito mais escancarada as privatizações e a retirada de direitos, nossa capacidade de traduzir de maneira simples as propostas de Haddad para mudar a vida do povo será fundamental. Nos ajudará a reconquistar o apoio daqueles que no 1º turno votaram em Bolsonaro como forma de protesto “contra tudo que está aí”, mas que ainda não perceberam que ele é na verdade o candidato do sistema, dos gringos e dos ricos.

*Bruno Elias é militante do PT

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