Por Fausto Antonio  (*)

De acordo com o Tupi, Araraquara: morada do Sol, da Luz ou do Dia, foi  o espaço do pacto  e do parto, que revelou os mundos interiores da operação  Lava Jato.   O sistema informacional  atuou para revelar os crimes da operação. O próprio criminoso preservou as provas e a cena do crime. O mito de Narciso explica o caso? Ou estamos diante da lógica que diz que o criminoso adora visitar a cena do crime. Olhar a cena do crime; prazer realimentado,  é olhar para o espelho.

Realmente, só o narcisismo e a baixa voltagem intelectual explicam a autocilada  armada por ele; o procurador “justiceiro” e sem lei,  para eles mesmos. Bem feito! Sim, ele fez tudo muito bem feito.  Não há mágica. Araraqquara tem relação ou significa, em parte, buraco.  É melhor dizer cavidade ou chave de conexão; tudo em profunda relação com a dinâmica da sociedade brasileira.

A operação , segundo o STF,  corte política e casta de brancos, foi  (é) seletiva,   ilegal,  marcada por abuso de poder  e avessa à soberania nacional. O alvo seletivo passava pela condenação do PT, de Lula e da indústria nacional. A “América” dos EUA acima de tudo!    Há alguma novidade no ar? Nenhuma.  Ameaças da extrema direita, é uma hipótese, inverteram, de modo tático e com riscos para a burguesia branca brasileira e imperialismo igualmente branco, os posicionamentos do STF, que atuou firme e à direita no golpe de Estado de 2016 , no processo relativo à perseguição, condenação  e  prisão política  do ex-presidente Lula.

A república de Curitiba revela o modo de operar padrão do sistema judiciário brasileiro.  A negrada sabe dessa realidade de sentenças racializadas e do genocídio de jovens negros acobertados pela lei. Voltando às Repúblicas em confronto, foi preciso o advento da República de Araraquara para colocar tudo no seu devido lugar. A morada do Sol mostrou a Lei dos homens e mulheres numa enrascada. A lei de cartas marcadas ou da face da terra, para salvar Moro, libertou antes Lula. As ordens dos mundos interiores, incluindo aqueles áudios  vazados pelas gravações, eram para livrar Lula, ou melhor, libertar o Brasil. Bem feito!!!

 (*) Fausto Antonio é escritor, poeta e dramaturgo. Beijar os negros e  A morada do sol e a República de Araraquara  são crônicas do livro Matracas ancestrais , inédito.   

 

 

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