Página 13 publica texto da direção estadual da tendência petista Articulação de Esquerda apresentado à Executiva Estadual do PT/Tocantins.

Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa

O Tocantins sempre esteve nas mãos de um projeto de exploração da classe trabalhadora que gera enriquecimento para uma pequena elite financeira, econômica, agrária e política, enquanto grande parte da população não tem sequer comida na mesa. É este cenário que vemos no Estado.

Se o povo do Estado do Tocantins vê mais um governador não terminar seu mandato, a culpa é da classe dominante que usa o Estado para aumentar seus lucros, privatizando os recursos públicos na forma de propina, especulação imobiliária e financeira e isenção de impostos.

Já faz quinze anos que um governador eleito pelo voto do povo não encerra o mandato. Dos oito nomes que passaram pelo Palácio Araguaia, somente quatro deles foram eleitos pelo voto popular. Os outros exerceram o governo sem o aval da democracia popular, que somente assistiu e assiste à condução do estado ser passada de mão em mão. Nenhuma política estruturante de desenvolvimento para o povo trabalhador foi implantada ou consolidada.

O PT Tocantins vê com preocupação o atual cenário político do estado e em relação ao governador em exercício, Wanderley Barbosa, esperamos que não siga o mesmo caminho trilhado por Carlesse e seu bolsonarismo militante, com sua reforma da previdência estadual, as privatizações dos serviços e recursos públicos, como rodovias, parques estaduais, ações da Hidrelétrica do Lajeado, o uso do PLANSAUDE para caixa dois e outras medidas que transferem o dinheiro público para as empresas privadas.

O Tocantins, ao longo dos seus 33 anos, foi colocado como o estado da livre iniciativa, por isso foi o primeiro estado a privatizar a energia elétrica (atual ENERGISA), depois privatizou a água e esgoto (atual BRK), além de terceirizar milhares de cargos públicos usados como moeda eleitoral (inclusive vários ex governadores respondem pela privatização da saúde estadual).

Ao mesmo tempo, mentiram para o povo, dizendo que seria um lugar que teria espaço para todas e todos. Não foi isso que o povo tocantinense vivenciou e a situação não é diferente nos dias atuais. O Tocantins conta com milhares de trabalhadores e trabalhadoras excluídas das políticas públicas, que passam fome, não têm moradia, nem emprego ou acesso à educação, ou algum mecanismo que as auxilie na melhoria da qualidade de vida e por isso o Partido dos Trabalhadores luta contra a opressão e a dominação das elites e o seu apetite insaciável.

Os/s servidores/as públicos/as estaduais não recebem o cumprimento dos compromissos estabelecidos em leis (data-base, progressões, realização de concursos públicos), porque os governadores querem terceirizar e privatizar os serviços públicos, beneficiando amigos e usando isso como curral eleitoral.

Os/as trabalhadores/as rurais nunca receberam nenhum programa do governo estadual. Pelo contrário, são sempre perseguidos pelo governo do estado que promoveu uma antirreforma agrária, tomando terra dos pequenos agricultores em Campos Lindos e Pedro Afonso para dar a grandes fazendeiros, promovendo despejos violentos, negando a regularização das terras dos quilombolas, entre outras ações antipopulares.

O Partido dos Trabalhadores tem um projeto para o Brasil e para o nosso estado, de construir um novo modelo, onde a classe trabalhadora faça parte ativa da vida política e econômica de forma livre e consciente. O povo trabalhador deve ser o centro do processo revolucionário de desenvolvimento social, que em 2022 o Brasil terá chance de decidir com as eleições nacionais e estaduais.

Sabemos que é possível construir uma sociedade livre da repressão e da tutela, onde os interesses da classe trabalhadora sejam prioridade e na luta contra a exploração da classe dominante. Seguimos firmes na certeza de que a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores unidos, vai dissolver o poderio das elites dominantes e devolver o Brasil e o Tocantins a quem lhe é de direito: o povo.

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