Por João Luís Lemos*

 

O IV Congresso da JPT deveria ter ocorrido em 2017 e, desde então, vem ocorrendo um debate no Partido dos Trabalhadores sobre o que fazer em relação a JPT. Ao mesmo tempo, travamos duras batalhas contra o golpismo, sendo a mais recente a luta em defesa da liberdade de Lula.

Desde 2015, a JPT não conta com uma direção nacional legítima. De lá para cá, o desacúmulo político e organizativo e a dispersão da JPT se aprofundou, deixando-a muito aquém das imensas lutas que travamos contra a ofensiva golpista. Nesse sentido, a realização do IV Congresso da JPT é um imperativo para recompor uma direção política em âmbito nacional e reorganizar a JPT nos municípios e estados.

Para que a JPT possa contribuir efetivamente na defesa de Lula e dos direitos da classe trabalhadora, é preciso massificar. E isto só será possível com uma orientação política correta, na defesa da candidatura Lula em qualquer cenário, na necessidade de uma estratégia socialista e que supere a conciliação de classes, uma radicalização na tática e a ação resoluta para que a JPT se torne uma organização de juventude de massas. Considerando as movimentações de setores do partido em torno da tática intitulada de “plano B” e a própria gravidade das decisões que o PT deverá tomar, esta orientação política está longe de ser um consenso a priori no partido ou uma política a ser definida sem participação da militância.

Em março, a Comissão Executiva Nacional do PT aprovou por maioria a realização de um “congresso extraordinário” da JPT. Segundo esta proposta, não haveria eleição de delegados em nenhuma etapa, a nova direção nacional seria definida pela proporção das chapas do VI Congresso do PT e a nova ou novo secretária/o seria indicada/o pela tendência do atual secretário nacional, sem possibilidade de eleição. Ou seja, na prática, essa proposta impede que a militância eleja a direção da JPT a partir de um debate político.

Frente ao caráter anti estatutário desta proposta, a tendência petista Articulação de Esquerda remeteu um recurso ao Diretório Nacional do PT com o objetivo de garantir a democracia nesse processo, com no mínimo eleição de delegados das etapas estaduais para a nacional possibilitando que haja votações na etapa nacional para qualificar o debate político. Por ampla maioria, no dia 23 de abril, o DN rejeitou o recurso, admitindo que ocorra esse “congresso extraordinário” de modo antidemocrático, anti estatutário e que retrocede ainda mais na organização de uma JPT de massas.

Diante disso, a principal tarefa da militância da JPT nas próximas semanas é ampliar a mobilização em defesa de Lula Livre, dos direitos da classe trabalhadora e fortalecer o diálogo com a juventude trabalhadora nos seus locais de trabalho, estudo e moradia. A mobilização para os congressos municipais e estaduais da JPT devem estar orientadas por este fio condutor. Além disso, devemos ter muito nítido a necessidade de unidade na ação, mas também não ter nenhum receio em travar o debate e disputar a direção política da JPT para a orientação mais correta. Além das jovens filiadas e filiados ao PT, as etapas municipais e estaduais devem mobilizar o conjunto da juventude que se identifica com o PT, em especial aquelas e aqueles que vêm se aproximando do partido diante da conjuntura de enfrentamento ao golpismo. Ao mesmo tempo, devemos impulsionar os Comitês por Lula Livre e a criação de núcleos da JPT.

Por fim, a mobilização à Curitiba em defesa da liberdade de Lula é também tarefa prioritária e deve estar no norte da mobilização das etapas do congresso, realizando grandes caravanas da juventude em defesa de Lula em maio.

Tendo em vista a decisão equivocada da maioria da direção do partido, explicitando a falta de compromisso dessa maioria sobre a necessidade de uma juventude petista de massas, a militância petista deve se engajar para construir uma JPT de massas por suas próprias forças. É preciso lutar até ganhar na defesa de Lula, do PT e da classe trabalhadora. É preciso resistir com o mesmo espírito da militância que resistiu fisicamente em São Bernardo do Campo à injusta prisão de Lula.  É preciso uma JPT que rompa qualquer ilusão em alianças com setores do golpismo e na classe dos capitalistas. É preciso uma JPT socialista, democrática e revolucionária. É preciso uma JPT Para Tempos de Guerra!

 

* João Luis Lemos é dirigente nacional da JPT e da juventude da tendência petista Articulação de Esquerda

 

Fonte: Página 13, n. 186, mai. 2018

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