O dia 30 de maio tem um desafio: mobilizar os estudantes contra os cortes, sem perder de vista a luta contra a reforma da previdência e contra os outros retrocessos. #UNEparaTemposDeGuerra

Por Lucas Reinher*

O dia 15 de maio de 2019 foi um marco histórico na trajetória de lutas e mobilizações contra o governo Bolsonaro e a acentuação do projeto neoliberal. Inicialmente convocado como uma data de greve nacional dos setores da educação contra a reforma da previdência, o dia 15 ganhou mais visibilidade – e apelo popular – em função, inicialmente, das declarações do atual Ministro da Educação, que alegou que as universidades que fizessem “balbúrdia” teriam suas verbas cortadas, e posteriormente, com a decisão efetiva de reduzir em 30% o orçamento de todas as universidades e institutos federais.

Se nos últimos anos pudemos ver o ingresso de milhares de jovens, negros e negras, mulheres, LGBTs, pessoas com deficiência, filhos e filhas de trabalhadores e a própria classe trabalhadora nas universidades e institutos federais, é porque houve investimento e preocupação com a educação nos governos petistas. A educação brasileira é uma ferramenta em disputa, e justamente por ter uma capacidade de transformação social, está sendo ameaçada. Para além disso, é de interesse do mercado financeiro o sucateamento que conduza à privatização das universidades – a prova disso é que as ações das redes privadas de ensino no mercado aumentaram com o anúncio do corte de verbas e diminuíram após as mobilizações. Querem, a todo custo, aniquilar nossos direitos e transformá-los em mercadorias.

As mobilizações do dia 15 mostraram que a pauta da educação tem a capacidade de unificar diferentes setores em sua defesa. Nas últimas semanas, não apenas aqueles e aquelas que há anos constroem o movimento estudantil estiveram nas ruas mobilizados contra os cortes. Diversos setores estudantis, como integrantes de grupos de pesquisa, projetos de extensão e estudantes em geral, foram às ruas para apresentar seus trabalhos, mostrar o que a universidade produz e protestar contra os cortes na educação. Mesmo aqueles que votaram em Bolsonaro começam a voltar atrás e se dar conta de quão nefastas são as medidas propostas por ele e seu conluio. Essa reviravolta demonstra que, aos poucos, Bolsonaro começa a se fragilizar e a luta pela educação tem um papel chave nisso tudo.

Durante o ato do dia 15, a União Nacional dos Estudantes (UNE), juntamente com a ANPG e a UBES, convocaram mobilizações nacionais para o dia 30 de maio, que têm sido apoiadas e aderidas por centrais sindicais e outros setores da luta popular. A volta da UNE às mobilizações, principalmente em um momento de tantos retrocessos e ataques aos nossos direitos, é imprescindível. Por isso, no dia 30 temos um grande desafio: seguir politizando os estudantes e pautar a luta contra a reforma da previdência e contra os outros ataques.

É inegável a capacidade que a pauta da educação possui de aglutinar setores, porém, não podemos desvincular os cortes na educação aos outros projetos nefastos do governo Bolsonaro. É papel da União Nacional dos Estudantes escancarar o óbvio: os ataques à educação não estão isolados e já estão sendo colocados como chantagem para a aprovação de outros retrocessos. Se querem nos fazer escolher entre educação ou previdência, nossa resposta será: não aceitaremos nenhum direito a menos!

É importante que nós, estudantes, não percamos nosso horizonte de lutas. Devemos aproveitar a efervescência das mobilizações e o descontentamento do povo frente aos cortes na educação para somar forças contra as outras medidas nefastas do governo Bolsonaro – visando também o dia 14 de junho, data marcada para a grande Greve Geral.

O dia 30 de maio é a hora e a vez da juventude e dos estudantes! É nosso papel dialogar com a população, mostrando a importância da universidade pública, da pesquisa, da ciência, sem esquecer que para derrotar Bolsonaro, precisamos também lutar contra a reforma da previdência, contra as demais medidas nocivas aos direitos da classe trabalhadora e pela liberdade do companheiro Lula – que ocupa um papel central na mobilização do povo.

Vamos juntos às ruas no dia 30 de maio defender a educação e mostrar a força das e dos estudantes! Não aos cortes na educação e à reforma da previdência! Rumo ao dia 14 de junho! Lula Livre!

*Lucas Reinher é graduando em Jornalismo na UFSM, Secretário de Organização do DCE UFSM, da JPT e signatário da tese “UNE para Tempos de Guerra” para o 57º Congresso da UNE

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