Por Pedro Feitoza


Entre os dias 24 e 26 de novembro ocorreu o segundo Conselho Político da JPT, no Instituto Cajamar, São Paulo. O conselho é formado pela executiva nacional e pelas secretárias e secretários da JPT nos estados. A finalidade dessa última reunião era de fazer um balanço do último período e aprovar o regimento convocando o IV Congresso da JPT. O que deveria ser um espaço de amplo debate político e produção de sínteses capazes de direcionar nacionalmente a juventude petista, promover a troca de experiência entre as secretarias estaduais e aproximar o conjunto das suas forças para os imensos desafios da conjuntura política do país, tornou-se um mero momento para resolver divergências internas de um único campo (CNB) e aprovar superficialmente o regimento interno do nosso próximo congresso.

Em breve resumo: chegamos sem acesso à programação e proposta de regimento a ser discutida e de todo o tempo destinado ao conselho, a sexta e o sábado foram inteiramente utilizados para plenárias internas da CNB, enquanto que o debate com o conjunto da JPT apenas pôde acontecer na madrugada do domingo, entre 1 e 7 horas da manhã. Apenas uma fala de 3 minutos por cada representante foi destinada para debate político devido ao esgotamento do tempo e da disposição físicas dos/das militantes, enquanto o resto do período foi utilizado para apresentar e votar os pontos do regimento interno do IV Congresso da JPT. O ocorrido não é mero acaso e reflete o atual estado de organização da JPT em nível nacional.

Objetivamente, o regimento aprovado convocou o IV Congresso Nacional da JPT para o período de 31 de maio a 03 de junho. As etapas municipais ocorrerão entre 24 de março e 22 de abril, e as etapas estaduais entre 28 de abril e 20 de maio. Todos os municípios com 4 ou mais jovens deverão realizar congressos. Poderão participar os jovens filiados e filiadas até dia 31 de dezembro de 2017 que tenham até 29 anos na data de início das etapas municipais. Além de eleger direção, as etapas municipais elegerão delegados e delegadas para as etapas estaduais na proporção de 2 para 1. Por sua vez, as estaduais elegerão para o nacional na proporção de 4 para 1. Alguns pontos ainda serão definidos pela comissão organizadora do congresso, como a exigência ou não de contribuição financeira dos filiados e filiadas para votar e ser votado; como serão realizados os congressos intermunicipais/regionais e também como participarão os jovens dos municípios com menos de 4 filiados e filiadas jovens.

Ao meu ver, o regimento aprovado não enfrentou as dificuldades que tivemos no último congresso e ainda ampliou a burocracia e o incentivo ao disputismo na JPT. Haverá três formas distintas de se eleger delegados e delegadas às etapas estaduais e o peso das etapas municipais (foco da grande maioria das fraudes ocorridas em 2015) aumentou.

No último período, a executiva nacional da JPT teve fraca atuação. Mesmo com a postura combativa do PT e da esquerda em resistência ao golpe, com amplas mobilizações de rua e intensos debates políticos na sociedade brasileira, a JPT foi incapaz de oferecer referência e organização aos inúmeros/as jovens que passaram a se engajar no destino do país. Incapaz até de oferecer uma opinião qualificada sobre a piora da condição de vida do povo e sobre a precarização cada vez mais intensa do trabalho que atinge com força, sobretudo, a juventude. A dispersão e a falta de acúmulo político e organizativo da JPT persistem. Hoje, apenas 7% dos filiados e filiadas do PT são jovens.

O conselho político reunia as condições para o início de uma inflexão nessa trajetória. Com a aprovação na última reunião do diretório nacional do PT da comissão organizadora do próximo congresso, as tarefas destinadas ao conselho eram aprofundar uma visão política a partir da juventude e definir um modelo de congresso que pudesse ampliar a participação de forma qualificada. Um modelo capaz de fortalecer a organização política da juventude, superar os graves problemas ocorridos no III Congresso e preparar a juventude para o acirramento da disputa política de 2018.

Por fim, acredito que os acontecimentos dos últimos anos na política brasileira mergulharam a população em profunda confusão e desânimo com o destino do país. Cabe a nós, Partido dos Trabalhadores, atuar para construir em 2018 um cenário político com forte polarização, clareza dos projetos políticos colocados em disputa e combate ferrenho contra o golpismo e todos os seus retrocessos. É com esse espírito que a JPT deve se mobilizar para o seu próximo congresso. Os obstáculos são diversos, mas a realização do IV Congresso ainda é a melhor oportunidade de mobilização da juventude petista para dialogar com parcelas maiores da juventude brasileira.

Pedro Feitoza é secretário estadual da JPT/RN

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